Saturday, November 18, 2006

Fernandinho e Gil... o Vicente!


Sobre os heterônimos pessoanos: o luso ousou e deu nome aos bois de sua alma. Com isso, expandiu simbolicamente seu "eu", sua razão de ser - imaginem o sujeito "blogando"! Há pessoas que se submetem aos nomes; outras, aos bois, o que é raro e mais sábio. Que bagunça conceitual! A escravidão dos rótulos, especialmente quando eles foram absorvidos pela Língua de Pau, é quase invencível por causa da questão do hábito, a tal inércia que já registramos aqui, também conhecida como lei da gravidade máxima. Ninguém consegue ficar sozinho, tem de ter patota ao redor. Ninguém consegue ficar calado, tem de se atordoar com milhões de psicodecibéis. Ninguém sabe quem é, fica esperando que alguém lhe jogue em cima os andrajos do elogio.
Outro luso, Gil Vicente, menos conhecido do que o Fernandinho do Tejo, escrevia autos, uma modalidade teatral tipicamente medieval, de cunho tanto profano quanto religioso. Dêem uma olhada num deles, Auto da Lusitânia, em que Todo mundo e ninguém, dois personagens, dialogam. É isso aí, a legião é muuuuuuiiiiiito antiga!... É luta que se perde nos tempos, é luta cotidiana, é luta em fio de navalha. É o bom combate.

Marx, o Groucho

1 comment:

Claudia said...

Marx, avise a Oriane que o post dela foi reproduzido também no blog do Nemerson (nemersonlavoura.blogspot.com)!
Beijos!