Monday, May 14, 2007

Bento, uma bússola...


Não tem jeito. Para quem ainda não entendeu o espírito da coisa, reiteramos: o que o Papa prega - e essa é a palavra da doutrina da Igreja - é aquilo de sempre - o óbvio ululante que os escotomizados não conseguem ver há séculos, a pedra filosofal da conduta humana, por inspiração do Logos divino, ou seja, o valor de verdades absolutas, o paradigma que serve de norte espiritual. O que Bento prega se baseia nessa terrível simplicidade cristã, intragável para os obcurantistas de plantão, a convicção de que há CERTEZAS em meio às dúvidas da borrasca em que nos debatemos cotidianamente, há uma bússola!
Essência é essência, não tem jeito. "Separar o joio do trigo é isso", afastar o que importa - o eterno, o absoluto, o verdadeiro - do que é descartável pela própria natureza - o efêmero, o relativo, o inautêntico.
Como diria São Paulo, "que seu sim seja sim, que seu não seja não, pois tudo que ultrapassar essa instãncia é pecado". Pecado quer dizer "desvio do alvo", exatamente como quem atira uma flecha a dois quilômetros da mosca. Não é qualquer um que acerta o alvo. É preciso praticar, esforçar-se, não desistir. Quem faz DIREITO qualquer coisa, sabe disso, desde bife à milanesa à pintura da Capela Sistina.
Não há mérito sem esforço, é simples. Não há "cotas" para preguiçosos no Reino dos Céus. Lá o PT não manda. Que frustração, né, Keiser? Imagine você dizendo "nunca antes neste reino do céus..."
Voltando ao Papa: com toda a feroz propaganda anticatólica dos últimos tempos - claro, eles farejam quem é seu real adversário - por meio das tentativas de desmoralização feitas sistematicamente pela mídia, a absoluta falta de cultura religiosa do povo bananóide, com tudo isso e mais alguma coisa, lá está ele, fazendo um sucesso midiático estrondoso, arrastando multidões por onde anda, um senhor de oitenta anos, um estranho "pop star" sem alavanca midiática a seu favor, um poliglota, um teólogo, um ser muito, muito, esquisito para os padrões da Sociedade do Espetáculo.
Uma nota: louve-se uma entrevista dada na Globo, a respeito da personalidade de Bento XVI, pelo secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, Don Odilo Scherer, que sem meias palavras ("que seu 'sim' seja sim"...) chamou a imprensa de PRECONCEITUOSA e divulgadora de CLICHÊS! Até que enfim, um macho em Banânia!

Imagem: o óbvio instrumento que permite a navegação segura, aquela em que "navegar é preciso, viver, não."...

Marx, o Groucho

3 comments:

osvjor said...

tô longe de ser um papa lover, mas gostei da parte das verdades absolutas... esse relativismo onipresente a gente sabe muito bem aonde vai dar...

Anonymous said...

Caros,
não sou católica - aliás, não sou religiosa. Não acredito em Deus, pura e simplesmente, e a Igreja Católica, a meu ver, tem uma trajetória histórica longe de imaculada e luminosa às suas costas. Contudo, admiro profundamente o papa. O homem é um intelectual refinado, um teórico de erudição densa, e, como (quase) todos os alemães, não mente. Reitera os dogmas da igreja, e insiste nas premissas necessárias ao comportamento de todo aquele ou aquela que deseje participar dela: não matar, não abortar, etc. A esquerda se escandaliza por ignorância. Escandaloso seria que a Igreja de repente dissesse, por exemplo, que o aborto está liberado, que todos aqueles que abortem irão ao reino dos céus - escandaloso porque em franca contradição com um sistema que se quer firme e claramente caracterizado. A grande questão, pela qual inclusive muitos católicos advogam a favor de uma espécie de segunda grande reforma, é que, segundo a lógica mercadológica, o papa não pode "competir" com derivações evangélicas, ou mesmo aberrações como Marcelo Rossi (outro dia, ele apareceu na TV espanhola afirmando, com um sorriso de elevação espiritual nos lábios, que a Igreja tinha o melhor método de vendas, que é a missa, e o melhor produto, que é Jesus...). A pergunta é a seguinte: como pode a Igreja manter seu papel apostólico e evangelizador e, ao mesmo tempo, a fidelidade necessária a seus dogmas e premissas? A grande crítica ao papa João Paulo II foi a de que ele "perdeu" fiéis na América Latina. Ele não teria entendido, dizem, a mentalidade laica da Igreja brasileira (laica por não dizer bunda-lelê), e as necessidades e idiossincrasias da população. Falar em adaptabilidade de um sistema religioso, porém, é negar sua própria essencia, tão alheia ao tempo quanto a própria divindade. Não tem jeito. Continuarei atéia, e continuarei admirando profundamente a inteligência e coragem de homens como Ratzinger.

PATRICIA M. said...

Eu digo e repito: prefiro 10 vezes o Papa Ratzinger do que o anterior. A Igreja precisa de pulso firme e visao, e Ratzinger tem de sobra.