Saturday, January 13, 2007

Os macunaímas


Já estava com saudade de roubar as imagens da Gusta, do "Reaja Brasil".
Nos comentários ao post que tem esta foto há um de uma professora de 60 anos, Carmem Garcia Sanches, que vale a pena ser lido. Não é nenhuma novidade: as pessoas da classe média (aquelas que têm trabalho), principalmente os professores, não podem se dar ao luxo da aposentadoria. Conheço várias nesta situação. Até recebem aposentadoria, mas funciona mais como um digamos "aumento" do que aposentadoria, pois não param de trabalhar. Seja para sustentar uma família de desempregados, seja porque a aposentadoria não basta para sua susbsistência ( como, de resto, quase não bastava o salário), grande parte dos aposentados ainda trabalham.
Triste lembrar dos tantos que recebem sem trabalhar: marajás do serviço público, funcionários públicos que não trabalham. Minha amiga comunista diria: e os filhos de ricos que vivem da grana da família? Bom, até que me provem o contrário, a propriedade particular é intocável. Não me importa se é justo ou injusto o lucro dos banqueiros, mas eu sempre posso escolher não usar crédito. No mais eu pago doze reais pela manutenção da minha conta e não acho caro pelo serviço, mesmo sabendo que inclui usar minha imensa fortuna depositada para gerar lucros. Acontece que este dinheiro é privado, eu faço com ele o que eu quiser. Até emprestar aos banqueiros. Quanto aos impostos não há escolha. E é isso que diferencia uma sociedade que funciona de outra: o uso racional dos bens coletivos. Aposentadoria, salários de funcionários públicos, dinheiro do país, tudo isso é parte de todos nós. Se não há escolha devemos ao menos poder cobrar. E sustentar presidente que não gosta de trabalhar é de chorar. Chorar pelo nosso lamentável espírito de Macunaíma, lamentar por termos encontrado o próprio e tê-lo feito nosso presidente, lamentar porque nosso povo acha graça, lamentar porque esse é o nosso espírito público, lamentar por termos nascido em Banânia.
Mas há um consolo, há lugares muito piores.
Mas a nossa mentalidade é triste, muito triste. É o que temos de pior. Uma pena, um povo criativo, um lugar lindo e rico. Que pena que somos assim. E não tenhamos dúvida: o destino de povos assim é a escravidão e o desaparecimento. É a lei do mais forte. Nos fizemos fracos e assim nos mantemos por pura preguiça. O povo é preguiçoso e não quer lutar. Assim como seu presidente.
O que está acontecendo agora no Nordeste é a prova: os empresários e fazendeiros não conseguem mão de obra porque o povo não quer perder o bolsa família. Enquanto pessoas como a Dona Carmem Sanches não podem sequer se aposentar. Detalhe, Dona Carmem Sanches que não pode se aposentar, ajuda a pagar o salário do dorminhoco da foto, sua bolsa-ditadura, suas mordomias (entre elas um avião de onde ele não sai) e a graninha que faz com que o cara lá do Nordeste não queira mais trabalhar e que ajudou a reeleger o pançudo lá de cima.
Sacaram o lance? Dona Carmem trabalha para sustentar o cara que não quer trabalhar, é óbvia a conclusão. A parte boa é saber que ainda há gente honrada tentando viver neste país.

Oriane

1 comment:

william said...

Eu tenho um amigo que diz exatamente o mesmo: "Há um monte de gente nessas famílias de milionários que não fazem nada, e você só reclama da classe média (funcionários públicos) ou dos pobres".

A diferença é exatamente esta: eu escolhe se quero sustentar os Diniz (não compro mais em nenhuma loja do Grupo Pão-de-Açúcar desde que o Abílio Diniz assinou artigo apoiando a candidatura do Palocci), mas não posso escolher não sustentar aquele desembargadorzinho do caso Cicarelli x Youtube... O salário e todas as vantanges dele, ele me toma À FORÇA.