Thursday, January 11, 2007

O que anda pela rede


Observem este texto, retirado de um site sobre Química, definindo - muuuuuuuito por alto! - o que é Idade Média, sob o surrado rótulo de Idade das Trevas. Absolutamente pobre e preconceituoso, é um exemplo, entre milhares, do que anda por aí na rede, desinformando gente que vai pesquisar na internet e leva esses dados a sério, sentindo-se, depois, expert no assunto.
Mantivemos todos os erros de pontuação originais.

"A Idade Média é o período que vai de 476 (fim do Império Romano do Ocidente, governado por Honório) até 1453 (tomada de Constantinopla, cidade de Constantino, pelos Turcos). O seu início é marcado pela violência das invasões bárbaras e, na sua continuidade, pelo retrocesso intelectual proporcionado pelo modo de vida da época. Neste ínterim os povos que invadiram o Império Romano confrontavam suas crenças religiosas com o Cristianismo, e eram convertidos. Haja visto (sic) que quando os visigodos entraram no Império do Oriente, já eram cristãos, mas haviam (sic)os francos, os anglos e os saxões que eram pagãos. Mais tarde acabaram abraçando o catolicismo também.
A religião mudou muito os hábitos destes povos que foram impregnados de fé, nobres propósitos e belas virtudes. Havia uma curiosa organização política-econômica-cultural nestes idos. O nome é feudalismo, onde (sic) quem tinha o poder era o clero e a nobreza. Segundo a maioria dos historiadores esta organização política embrionou (sic) na Germânia, onde, após as invasões, os reis doavam terras aos seus mais ilustres guerreiros. Desenvolveu-se mais profundamente na França e na Alemanha, cujos soberanos chegaram ser (sic) muitas vezes mais pobres e menos poderosos que os senhores. Os territórios eram chamados de feudos, daí o nome de feudalismo a este sistema político-econômico (sic). O povo era mantido em "rédea curta" e constantemente dominado à força pelos nobres, e pelo clero através da ação religiosa. O comércio e a indústria tiveram grande decadência, visto que as guerras contínuas constituíam um obstáculo ao trabalho das populações laboriosas, ao passo que os suseranos, sempre envolvidos em lutas, não tinham tempo para cuidar dos assuntos de ordem econômica. A monotonia da vida, em época de paz, só era quebrada pelos trovadores que iam de castelo em castelo recitando infinitas canções de gesta e os romances de cavalaria (???). No campo da química é impossível de (sic) não comentar a figura dos magos, dos feiticeiros, dos senhores das coisas ocultas.
Estamos falando sobre os ALQUIMISTAS."

Well, por conta dos vários "sic", percebe-se o precário português do autor, além do verdadeiro samba do crioulo doido em que as informações chafurdam. Notaram a sutil (???) relação entre a influência da Igreja e o estado de regressão intelectual das pessoas? Haja...
Chamem a Régine Pernoud!

Imagem: o lindíssimo Alcazar de Segóvia, Espanha.
Marx, o Groucho

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