Tuesday, December 19, 2006

A Bienal da feiúra!!!


Neste fim de semana estive na Bienal de São Paulo. O que dizer? Prédio de Niemeyer, temática social...
É a cultura do feio. Hoje há um artigo ótimo de Jabour falando da feiúra. De fato, estamos vivendo a cultura do feio. Isso não é de agora, a arte contemporânea acabou assimilando a feiúra como se fosse a consciência culpada - a cultura das cachorras, do funk, do quanto mais feio melhor.
Havia uma sala pró-Bolívia que me deu vontade de vomitar. Fotos de crianças de rua, mutilações, um horror! Tudo isso em meio a um calor infernal e, como brinde, vários excluídos se sentindo em casa. Fui ao banheiro e estavam lá: mulheres obesas com miniblusas que deixam sua panças de fora. Como se não bastasse aquela "arte", ainda temos que ver isso. A obesa de pança de fora tinha uma filha. Quando fui até o bebedouro, elas correram na minha frente e ainda riram da minha cara. Ficaram um tempão brincando com o bebedouro enquanto eu esperava, e a criança meteu a boca na saída de água diante das risadas de sua obesa mãe. Desisti na hora da água e ainda ouvi as risadas delas.
Logo na entrada, mandaram que eu colocasse minha minimochila (uma Adidas pequena, só cabe carteira, óculos e celular) no guarda-volumes, pois não se pode entrar de mochila. Entretanto, se for bolsa, pode entrar do tamanho que for! E mais, o local estava cheio de "excluídos" com suas mochilas. Moral da estória: eu não posso porque sou uma exploradora branca, eles podem fazer barulho, emporcalahr o chão e usar mochila - são excluídos coitados. Deuses, o que é essa cultura da pança de fora?
Como nosso povo é feio e vulgar...
O Jabour tem Razão, o que podemos sentir agora é repugnância por tanta feiúra e isso tem acabado por se revelar em ódio. Sim, sinto ódio. Ódio social. Raiva por tanta feiúra. Raiva por exclusão ser o único assunto. Porque será que as pessoas pensam que a inclusão deve vir com a feiúra? Não se pode incluir com beleza?
Uma comunista conhecida me disse que associava o clássico à aristocracia, por isso não gostava dele. Faz sentido, mas por isso deve-se cultuar a feiúra?
Sim, porque depois de ver a Bienal fica claro que há um culto à feiúra. Esse culto é claro tanto nas obras quanto no público.
Precisamos mesmo baixar o nível para incluir? Vocês gostariam de morar num monstrengo do Niemeyer? Vocês acham bonito mulheres obesas de barriga de fora?
O que dizer do funk? Nosso mundo acabou!

Oriane

2 comments:

Claudia said...

Oriane, vc teve saco de ir lá? Eu nem arrisco mais, acho tudo muito feio.

Quanto ao tipinho Tati Quebra-Barraco, o que dizer?

Fui caminhar hoje de manhã e em uma hora de caminhada você vê tanta gente sem educação emporcalhando e enfeiando a cidade! Dá vontade de sumir!

Acabou minha amiga, nosso país e nosso Rio acabaram.

Beijos

Anonymous said...

Bela Oriane,
foi-se o tempo em que ao Belo associava-se intrinsecamente o Bom. No entanto, não acho que o problema principal das artes contemporâneas seja, exata e exclusivamente, a Feiúra. Pense em Caravaggio. Pense em Rembrandt. Pense nas fantasmagorias de Goya, nos horrores de Van der Weyden. Como é possível que a Feiúra deles não nos provoque desprezo, ódio ou repulsa? Na minha opinião, a resposta é relativamente simples: a inteligência. Há em cada traço desses mestres tal quantidade dela, tal densidade, que a Feiúra eleva-se. Não é o caso da maioria dos auto-denominados artistas contemporâneos (principalmente os auto-denominados "artistas contemporâneos do terceiro mundo", que fazem da Feiúra a bandeira onde despejam todo o seu rancor e amargura de medíocres).
A falta de educação, a apologia à grosseria, caminham pari passu com esta exaltação ao Feio medíocre. Eu já conheci pessoas horríveis, medíocres, que tinham um enorme orgulho de ser grosseiras. Ser grosseiras qualificava-as, em seus cérebros de ervilha, a identificar-se com os excluídos de que você tanto fala - e, consequentemente, com os bons, já que os "excluídos" são bons, os "incluídos" são maus.
Mesmo distante, sempre que posso leio seu blog, que é realmente excelente. Pensem que a elite - intelectual, bem entendido - sempre foi minoria, sempre foi crítica, e sempre nadou contra a corrente. Que se mantenha a alta qualidade do blog, que se difunda, e que siga iluminando.