Saturday, March 03, 2007

Um hospício chamado Banânia!


A propósito de uma questão assustadora: além de estar ficando impossível conversarmos com a maioria das pessoas em Banânia, apresenta-se agora, sorrateiramente, à nossa perplexidade, uma espécie de fenômeno agregado ao panorama supradito, por si só já tão apavorante. Trata-se do questionamento, sedento por respostas lógicas, feito por intermédio de discursos ininteligíveis. O efeito é devastador. Diante de um monte de perguntas desconexas, surge a atordoante impressão de que nós é que estamos emburrecendo além da conta - isso contamina arrasadoramente!
Um fato recente, acontecido conosco, ilustra o problema que nos envenena a sanidade mental. Em uma festa de confraternização nostálgica, encontramos velhos amigos, acompanhados de seus rebentos (ou arrebentados?, perguntaria Lacan.), bem crescidinhos e já claramente acadêmicos, loucos para bater um suculento papo com os mais velhos, aqueles que parecem "saber das coisas".
Pois bem, uma das simpáticas criaturas nos atropelou, numa ansiedade própria de juventude deslumbrada, fazendo uma espécie de entrevista-relâmpago, repleta de perguntas saltitantes, em que predominavam assuntos filosóficos e sócio-políticos, regados com o previsível e velhaco ranço da narrativa histórica de cunho esquerdóide, naturalmente patrocinada pela típica retaguarda escolar que se caracteriza por um monte de clichês que doutrinam sem educar e confundem para dividir.
O pivô da conversa, só para "não variar", era a violência de plantão, espécie de entidade difusa que ocupa mentes e corações destepaíz sem que se vá à parte alguma em termos de uma conclusão lógica sobre o que se pode fazer para reduzi-la.
O discurso que nos crivava de perguntas, ávido por soluções definitivas e explicações convincentes, vinha tão sem pé nem cabeça, graças à sua constituição de colcha de retalhos sem costura racional aparente, que nos deu vontade de mandar a interlocutora para um Jardim de Infância tradicional(???), onde talvez possa reaprender os primeiros passos da língua que hoje pensa falar: Apaga tudo! Zera o taxímetro! Você não está dizendo coisa com coisa...
Notem bem, é papo de gente cursando pós-graduação...
Em consideração ao clima de confraternização, reprimimos o impulso sanitário e lá restamos sob uma saraivada de "a classe média é culpada desde o golpe de 64, em que havia duas posições a tomar (!!!) porque hoje a mídia aumenta tudo e afinal as pessoas são exatamente o quê?, no meio social que as oprime, porque a compreensão disso tudo, tirando da questão qualquer análise via metafísica, é o que resta, sem relativismos também, já que Aristóteles disse que somos racionais, sobretudo porque um copo pode ser uma outra coisa que não o próprio copo, isso é fato!"
Entre uma saraivada e outra, ponderamos que tudo, afinal, sempre pode ser UMA OUTRA COISA! Uff! Nem um mestre zen, daqueles supimpas, criaria um koan tão eficiente. Jogamos a toalha, mas não chegamos à iluminação, infelizmente...
O pior dessa experiência foi a estranha sensação de que, no fundo, poderíamos NÃO ESTAR ENTENDENDO ALGO de muito importante e inteligente e produtivo por deficiência nossa: Alzheimer? Pane mental por fungo nos neurônios? A abdução finalmente nos pegou de jeito?
Não dá mais. Estamos vivendo num hospício. Dose tripla de bollystolly, sweety!

Imagem: Bubble, a piradíssima secretária de Edina Monsoon, em AbFab.

Marx, o Groucho

6 comments:

william said...

Marx,

Não culpe a pobre mocinha. Ela é apenas vítima de um sistema perverso. Quantos professores doutores piores que ela você conhece?

Eu, mero aluninho da graduação, posso contar coisas que ouvi de um professor doutor de Direito Penal na última semana. (Já aviso que não tenho o costume de assistir às aulas, mas como estou matriculado numa sala onde não conheço ninguém, precisava estar lá para assinar a lista de presença.)

Logo na primeira aula deste semestre o professor resolve dar sua opinião sobre a redução da maioridade penal. Muito esperto, primeiro pergunta se havia na sala alguém a favor da redução. Uma aluna levanta a mão e, pensando que tinha a palavra, começa a falar algo. O professor a interrompe e pergunta se ela não concordava que a opinião dela não era motivada por um desejo de retaliação. Claro que ele não permite que ela responda, e continua a falar... falar... falar... Por toda a aula. Diz ainda que "segundo os estudiosos do crime" (sabe como é, quando se advoga, não se tem tempo para a pesquisa, então ele não pode dar nenhum resultado de pesquisa feita por ele e seus orientandos, tem de fazer alusão a alguma coisa de que ouviu dizer...) o percentual de crimes violentos praticados por menores é muito pequeno, frente ao total de crimes violentos (qual é esse percentual? o que representa em números absolutos? pouco de muitíssimo é pouco ou muito? não sabemos...). E termina dizendo que nós não temos condições de sustentar um sistema prisional tão grande quanto o americano...

Na aula seguinte, começamos a "estudar" Crimes Contra a Saúde Pública. Logo de início, o douto professor já dá sua magistral opínião: "Segundo a OMS, as drogas lícitas causam mais problemas de saúde pública do que as drogas ilícitas, os fast foods...". Nessa hora, eu quase levanto a mão para dizer que concordava que devia ser descriminalizado o homicídio, afinal, o número de mortes provocadas por causas naturais é gigantescamente maior que o número de homicídios. Aliás, eu queria mesmo era que fosse criminalizado o consumo de bacon, que com certeza é causa de muitas mortes.

Por fim, o professor diz, ainda sobre as drogas ilícitas: "A proibição das drogas se deveu a interesses econômicos, temos até o exemplo da Guerra do Ópio [??? !!!]... Assim como vocês sabem que o fim da escravidão foi por causa de interesses econômicos da Inglaterra...".

Reproduzi quase que exatamente o dito! Minha memória deve estar ruim... Que eu me lembre (mas a Fuvest foi há muito tempo...), os chineses queriam proibir o consumo de ópio na China e os ingleses, que ganhavam dinheiro com o tráfico, não aceitaram e fizeram a guerra! Não bastasse, o que a escravatura tem a ver com isso? Claro que o douto professor estava a expor a versão marxista que ele aprendeu em seus distantes anos de colegial: os ingleses queriam criar mercado para seus produtos industrializados, e inventaram que a escravidão era imoral. Se eu levantasse a mão e perguntasse a ele (ou a um desses professorezinhos de história que ensinam isso), quais eram os "interesses econômicos" de Demócrito para que ele fosse contrário a escravidão, será que eu receberia resposta? Quem quiser, vá ler a defesa que Aristóteles faz da escravidão. Ele a defende de ataques contemporâneos, e cita os argumentos daqueles que queriam o fim daquela instituição! Quais eram os interesses econômicos daqueles gregos? E se eu perguntar por que o profeta Jeremias condenou os judeus que escravizavam outros judeus, e que não os libertavam no sétimo ano?

Pois bem... é isso. No fim da aula, olhei as anotações da colega ao meu lado e estava lá, palavra por palavra, tudo que foi dito pelo professor... Agora imagine se a colega ao lado não se preocupar jamais em buscar opiniões contrárias, se não tiver quem lhe diga que não é assim, se nunca visitar este blog (hehehe)... Um dia poderá chegar às pós-graduação, repetindo sempre o que ouviu nessas aulas ou leu nos manuais recomendados (e que não dizem nada de diferente) e...

Pobrezinha! Vítima de um sistema perverso! hehehe

Clau said...

Putz William, nossas salas de aula estão criando nossos lulinhas, nossos dirceuzinhos, nossos berzoinis.

preguiça de pensar, de refletir e, consequntemente, nenhuma condição de questionar e argumentar com o tal 'doutor'.

se hoje está ruim...

Anonymous said...

Link para dizer NÃO AO GUERRILHEIRO COVARDE

http://www5.estadao.com.br/enquete/politica/totais.htm

José Dirceu merece ser anistiado e ter seus direitos políticos retomados?
Sim: 5.76%
Não: 94.24%

Oriane said...

William,
como a gente faz para falar com vc?
Vc sumiu do seu blog e do Orkut...
Amo Elixir do Amor...
"Uma furtiva lágrima..."

william said...

Oriane,

é só me mandar um email. Aliás, te mandei um há alguns dias, para o hotmail, não sei se você viu.

Acabo de ler o comentário que fiz (quando escrevi, não o li), e notei que está cheio de erros... Desculpem!

andrade.william@gmail.com

Tom Taborda said...

Oi Oriane,

Acho q vc irá gostar da tese de uma comédia americana recém-lançada (caveat: a tese é boa, mas pode ser que eles estraguem o produto final).

O filme chama-se 'Idiocracy'. Eis o argumento: um soldado-raso do exército americano, de inteligência mediana, é submetido à uma experiência de hibernação e esquecem dele. Quinhentos anos mais tarde, em 2505, ele é despertado.

E, graças ao massacre da chamada 'cultura de massa', ele é a pessoa mais inteligente da América.

No link abaixo, a página de 'Memorable Quotes' do filme:

http://uk.imdb.com/title/tt0387808/quotes

veja o nível dos diálogos propostos!

O autor e diretor do filme é Mike Judge, nascido no Equador, e o criador de Beavis and Butt-Head, o suprasumo do pensamento 'morônico'.

;-)