Sunday, March 11, 2007

Ícones de um tempo perdido.



Enquanto não conseguimos fugir "desteplaneta" para uma civilização galática melhor - sonho delirante de Oriane - vamos nos refugiando no discurso literário, por meio do qual compensamos nossa sede por novas plagas, culturas e pessoas.
Um aluno meu, há uns dez anos, classificou Eça de Queirós de o "segundo pior escritor que ele já tinha lido, pois o primeiro era, sem dúvida, Machado de Assis" (Atenção: o distinto tinha uns 40 anos e era filho de professora de Literatura. Freud teria se esbaldado com ele!), só porque o lusitano escrevia com "vocabulário do século XIX, sobre coisas que não interessavam a um brasileiro". Por coincidência, essa lembrança me "assaltou" - homenagem ao Rio - após a leitura do texto de Rouanet, transcrito por Reinaldo Azevedo em seu blog, em que o autor daquela Lei mambembe (Vejam como a mesma pessoa tem facetas diametralmente opostas, só para variar.) distingue dois tipos de "herança" nacional, a psicologia indígena dos Caetés e Tupinambás. Foi impossível não identificar o tal aluno, que odiava Eça e Machado, como um deslumbrante Caeté! Sua argumentação, quando o chamei para se explicar melhor, foi toda pautada por esse nacionalismo idiota, autofágico, demente mesmo, que saltou aos olhos nas manifestações de rua à visita de Bush, que, aliás, culminou em mais uma extraordinária produção pornô, expelida diretamente da cornucópia cerebral do Keiser, nossa Magda kármica, agora também Guia Sexual dos Povos Caetés.
Mas, voltando à literatura, o livro de Eça de Queirós que gerou o estapafúrdio comentário do meu aluno era A cidade a as Serras, sua derradeira obra. Com a típica intuição que ilumina os gênios, Eça conta a história de Jacinto de Thormes, descendente de miguelistas fanáticos, mas nascido em Paris. Tornado um dandy exemplar pela féerie parisiense, Jacinto, que vive numa mansão nos Campos Elísios, é obcecado por aquilo que chama de máxima civilização. Ele seria, hoje, uma espécie de "nerd", porque colecionava toda a parafernália tecnológica da época sem descuidar dos requintes mundanos que sua classe social exigia. Eça nos descreve esse cenário com tal precisão de detalhes e tamanha ironia que é impossível não viajar cinematograficamente com ele até o universo de seu personagem principal, exatamente como ocorre, não por acaso, quando se lê a obra de Proust - o Keiser diria, sem dúvida, que esses escritores atingiram o ponto G da Literatura.
Qual seria o tema de a Cidade e as Serras? Lá pelo meio da narrativa, enjoado de tanta civilização, Jacinto empalidece, murcha, perde a força. Por acaso, tem de ir a Portugal, para regularizar documentos relativos às suas propriedades rurais, as mesmas que lhe davam o sustento luxuoso a que se acostumara desde o nascimento. Em contato com as raízes serranas, Jacinto renasce psiquica e fisicamente, tomando sopas fantásticas, dormindo em colchões duros, respirando ares viçosos, extendendo a vista por paisagens exuberantes e... acordando com as galinhas! Deduz-se daí, então, que Eça era um pré-ecologista? A obra exalta a volta à natureza, ao solo pátrio, ao modus vivendi rústico, à pobreza igualitária? Será um libelo socialista - bastante provável já àquela época - contra às más condições de vida no campo português? Sim, porque Jacinto entra em contato - enquanto descobre um "outro mundo realmente possível"- com os problemas de seus empregados, gente simples e trabalhadora, mas com todos os óbvios problemas dos "sem-grana" e "sem-Estado". Será o texto um tratado de inclusão social sob a égide do combate à violência? Pouco provável: os camponese descritos por Eça são amáveis e mentalmente saudáveis. Será a antecipação da tese de Rouanet sobre a filosofia caeté? Fora essa tal de Paris, dane-se o resto da Europa! Tecnologia? Só se for a nossa! Abaixo o luxo, nós queremos é lixo, queimem a casa na rua dos Campos Elíseos!
Acertou quem percebeu que o escritor lusitano, rei da adjetivação criativa, nos propõe, como um legado final de seu engenho, a conciliação inteligente dos opostos, a seleção do que há de melhor em qualquer contexto, a LIBERDADE do "e" contra a DITADURA do "ou". Jacinto descobre o equilíbrio, a sanidade existencial, o melhor de qualquer mundo.
Nestepaiz, Eça seria devorado por Caetés petralhas. Jamais seria eleito para qualquer coisa, nem para gandula do Maracanã.

Imagens: Eça de Queirós e Machado de Assis, ícones de um tempo perdido.

Marx, o Groucho.

2 comments:

Anonymous said...

UÉ, PENSEI QUE O CARA ERA PT


Muitos se dizem aviltados com a corrupção e a baixeza de nossos políticos.
Eu não, eles são apenas o espelho do povo
brasileiro: um povo preguiçoso,malandro, e que idolatra os safados. É o povo
brasileiro que me avilta! Não é difícil entender porque os eleitores
brasileiros aceitam o LULA e a quadrilha do PT como seus líderes.
A maioria das pessoas deste país fariam as mesmas coisas que os larápios
oficiais: mentiriam, roubariam, corromperiam e até matariam. Tudo pela sua conveniência. Com muitas exceções, os brasileiros se
dividem em 2 grupos:
1) Os que roubam e se beneficiam do dinheiro público, e
2) Os que só estão esperando uma oportunidade de entrar para o grupo 1.
Por que será que o brasileiro preza mais o Bolsa Família, que a moralidade?
Fácil: Com a esmola mensal do bolsa família não é preciso trabalhar, basta
receber o dinheiro e viver às custas de quem trabalha e paga impostos.
Sugiro que vocês comecem a defender sua ideologia e seu estilo de vida, senão,logo logo, teremos nosso patrimônio confiscado pela "Ditadura do Proletariado" .
Estou de luto ! O meu país morreu !
EU DESISTI DO BRASIL !!!
Luiz Nassif

william said...

É petista de qq forma. Se o texto não for dele, é pq é petista. Se for dele, é óbvio que é petista: não sabe escrever o próprio nome! Luis Nassif é com "s".