Tuesday, May 01, 2007

Jung na veia!


Política é muito interessante, Filosofia é sine qua non, Línguas e suas respectivas Literaturas são indispensáveis à formação de qualquer um que se preze como ser pensante; todavia, sem estudar, também, Psicologia, fica-se sem noção alguma sobre COMO funcionamos, QUAIS os parâmetros que regem a alma em sua existência aqui e agora. Sem ela, corre-se sempre o risco de jogar sobre os outros - o meio, na pele de algo ou alguém - a responsabilidade por nossos atos e percepções da realidade. Ou seja, fica-se à mercê da manipulação externa.
Como em todo campo do conhecimento, há modelos e "modelos", teóricos e "teóricos". Várias vezes citamos aqui as idéias de C.G.Jung porque entendemos que, embora ele não seja, é óbvio, o pensador definitivo sobre assunto tão complexo como a psique, seu quadro de referências teóricas, suas análises do comportamento humano, suas intuições sobre o mistério que somos são extraordinariamente interessantes, visto que encontram eco num espectro de cultura monumental, que vai das mitologias mais antigas à história das religiões mais recentes, das artes primitivas às modernas, abarcando um fascinante universo em que o simbólico é exaustivamente examinado em todas as suas facetas visíveis.
A obra do psicólogo suiço é imensa, seu texto é repleto de exemplos sempre pertinentes, analogias surpreendentes, decifrações lingüísticas fantásticas e por aí afora. Para quem quiser ser iniciado nisso tudo, o melhor a fazer é ler sua autobiografia, "Memórias, sonhos, reflexões", na qual, além da narrativa de sua vida familiar, sua relação com Freud e suas viagens, ele mostra com clareza retilínea seu próprio processo de autoconhecimento, cujos passos , por si só, já são um bom curso de psicologia analítica.
Ao final do livro, encontra-se um glossário dos principais termos junguianos, tais como "arquétipo", "persona", "anima", "inconsciente coletivo" etc. Depois dessa antepasto, para quem quiser encarar, há toda uma coleção de seus escritos, editados em Português pela Vozes, esperando pelos em alguma livraria.
Após essas leituras, o mundo não será o mesmo, MESMO...
Como aperitivo, um texto resumido sobre a ascensão de Hitler, no qual Jung faz uma análise do perfil de um psicopata no poder e, em especial, do contexto que propiciou tal processo. Qualquer semelhança com "n" políticos em Banânia não será mera coincidência:

"Se considerarmos que nem todo homem mora psiquicamente numa concha de caracol, ou seja, que não vive longe dos demais e que seu ser inconsciente se acha ligado a todos os outros homens, então um crime nunca pode ocorrer de maneira isolada como pode parecer à consciência. Ele ocorre um âmbito bem mais vasto.
A sensação de todo crime provoca o interesse apaixonado pela perseguição e julgamento do criminoso, demonstrando que todo mundo, desde que não seja insensível ou apático, é excitado pelo crime.
Platão já sabia que a visão do feio provoca o feio na alma. É um fato inegável que o mal alheio rapidamente se transforma em mal, na medida em que acende o mal na própria alma. O assassinato acontece, dessa forma, dentro de cada um e de todos. Seduzidos pela fascinação irresistível do mal, todos nós possibilitamos, em parte, a matança coletiva em nossas mentes e na razão direta de nossa proximidade e percepção.
A esperança crescente no Estado não é um bom sintoma e significa na verdade que o povo está a caminho de se transformar num rebanho o qual sempre espera de seus pastores um bom pasto. Logo o cajado do pastor se converte em vara de ferro e ele, o pastor, em lobo. Foi essa a impressão que se teve ao ver toda a Alemanha respirar aliviada diante de um psicopata megalomaníaco que disse: "Eu assumo a responsabilidade". Quem ainda tem algum instinto de autopreservação sabe que apenas um impostor pode assumir a responsabilidade pela existência do outro. Quem tudo promete e nada cumpre está em vias de se valer de expedientes escusos para cumprir a promessa feita, ou seja, manter a impostura, abrindo o caminho para uma catástrofe.
(...)
Todos esses sintomas, a completa cegueira acerca do próprio caráter, a admiração auto-erótica de si mesmo, a depreciação e atormentação dos demais (com que desprezo Hitler falava de seu povo!), a projeção da própria sombra, a falsificação mentirosa da realidade, "o querer impressionar" e se impor, os blefes e imposturas, reúnem-se naquele homem que foi dado clinicamente como histérico mas que um destino curioso transformou durante doze anos no expoente político, moral e religioso da Alemanha. Será isso um mero acaso?”

- Extraído do capítulo Depois da catástrofe, do artigo Aspectos do drama contemporâneo), publicado no Neue Schweizer Rundschau em 1945, e posteriormente, em 1946, nos Ensaios sobre História Contemporânea, Zurique.

Imagem: John William Waterhouse - "Psiquê abrindo a caixa de ouro".

Marx, o Groucho

Nonada - o Demo é brasileiro.

A Constituição prevê juros de 1% ao mês, uma aberração incrível, em termos de texto constitucional; ninguém sabe disso, e quem sabe não liga, pois toda lei, burra ou não, é para ser violada.
O Código Penal prevê um horário para obras - de segunda à sexta, de nove da matina às cinco da tarde, com uma hora de almoço -; todos ignoram isso e batem, loucamente, na sua cabeça estressada, nos feriados, aos sábados, a qualquer hora, porque querem acabar logo a obra.
É ilegal cobrar juros sobre juros; os bancos e as administradoras de cartão de crédito fazem isso rotineiramente, apesar de todas as sentenças judiciais dando ganho de causa aos raros reclamantes que, num ataque de lucidez, reclamam dessa prática abusiva.
Há um "Tribunal de Pequenas Causas", que foi instituído para agilizar a solução de querelas de pouca complexidade jurídica; atualmente a espera é tão longa e as decisões judiciais tão proteladas quanto às do outro Tribunal - o enroladinho. Ou seja, deu tudo no mesmo beco burro.
Inventam uma tal de conversão ao gás natural, aplicando o maior golpe de estelionato coletivo dos últimos anos, a ponto de um parafuso ser cotado a vinte reais - repetimos: VINTE REAIS - na conta dos serviços prestados, à revelia do consumidor, pois, sem eles, o fornecimento é cortado; ninguém percebeu o golpe, ninguém "abraçou lagoas" protestando contra tal violência, ninguém ousou dizer BASTA!
Os governantes de todas as castas inventam mil projetos bombásticos, meros truques demagógicos, pretextos para falcatruas inomináveis; eles caem em completo esquecimento num estalar de meses.
Armam-se CPIs como um espetáculo de pão e circo; todos saem incólumes, inclusive os leões. Sorria, você está em Banânia!...
O Demo veste verde e amarelo. Ele é brasileiro, não Deus. Chamem Guimarães Rosa e seu redemoinho literário, pois "este país" ainda é sertão!

—Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. (...) Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser — se viu —; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão: determinaram — era o demo.(...) O senhor tolere, isto é o sertão.
Rosa, em Grande Sertão: veredas.

Imagem: Nonada, exatamente onde vivemos.

Marx, o Groucho - pregando, desde já, desobediência civil.

"Goiabeira" Unger by Olavo: na mosca!




Sobre a vergonhosa adesão do Goiabeira ao governo petralha - por uns polpudos trocados, é claro -, conclui-se que corrupção é quando o outro leva vantagem e eu, não. Olavo faz uma excelente análise do episódio, num texto que aborda, também, os birutas de Virginia Tech: o assasssino e sua musa. Leiam, na íntegra, aqui.

O texto de Olavo:

"Casta de malditos

(...)
Mas, voltando aos intelectuais ativistas, dois acontecimentos recentes ilustram da maneira mais enfática o espírito que anima essas criaturas.

O primeiro, naturalmente, é a pressa indecente com que o prof. Roberto Mangabeira Unger aceitou um cargo no governo que ele vinha insistentemente rotulando – aliás com razão -- de “o mais corrupto da nossa história”. Acrescentando à obscenidade o cinismo, o ex-professor de Harvard prontificou-se a retirar suas críticas, atribuindo-as à ingenuidade de ter acreditado na mídia antipetista, sem nem mesmo lhe ocorrer que alguém pudesse desejar saber por que o arrependimento de tê-las publicado só lhe veio depois do convite para o ministério, nem um minuto antes.

O objetivo do intelectual ativista é sempre e invariavelmente o poder. Sua atividade intelectual é apenas um instrumento ou um derivativo provisório, sem qualquer significado em si mesmo. Não li toda a obra do prof. Unger, mas a parte que li não continha uma só página de análise da realidade: só a expressão obsessivamente insistente de projetos, de utopias, de deveres que as pessoas deveriam cumprir se elas tivessem a felicidade de ser o prof. Unger e se o mundo não fosse injusto ao ponto de ter feito desse profeta iluminado um simples professor universitário e não uma reencarnação de Júlio César ou Gengis-Khan. O prof. Unger sempre discursa na clave do “dever ser”, com profundo desinteresse pelo “ser”. Ante a oportunidade de exercer ainda que uma migalha insignificante de poder no governo podre de um país falido, situado na extrema periferia do mundo, ele não se fez de rogado como Jonas ante o chamamento divino. Mais que depressa, atirou ao lixo a camuflagem de estudioso e mostrou o que é: um oportunista afoito, ávido de meios para “transformar o mundo” à sua imagem e semelhança."

Imagens: money makes de world goes around, já cantava Liza Minnelli...

Marx, o Groucho

Sunday, April 29, 2007

Campanha Jabá para todos


Amigos,
nossa campanha por um Jabá para blogueiros já recebeu 801 assinaturas! E ainda ganhamos um banner novo feito pelo Kibe!
Morra de inveja, Crivella!!!! Se quiser copiar, é só botar a foto do Edir Macedo no lugar desta....
Se socialites burras e que gostam de aparecer acharem que também merecem um Jabá, é só colocar a foto da Preta Gil ( homenagem ao Kibe), mas aí não vai ser justo pois o qi delas é incomparável....

Oriane

Saturday, April 28, 2007

Dissecando Sader !


Excelente o post de Ângelo da Cia sobre um encontro - vade retro!- com aquela criatura que até hoje não se sabe se é psicopata ou um calculista mefistofélico, visto que não há uma terceira hipótese. Por enquanto, ficamos com a primeira opção, porque o Mefisto autêntico, pelo menos, é um cara inteligente.
A crítica negativa de Ângelo é didaticamente feita em cima do discurso da criatura, passo a passo, sem deixar pedra sobre pedra. Estão lá as mentiras, a ignorância laureada, a desfaçatez delirante e o cinismo irritante que leva qualquer cidadão pacífico à selvageria total (Ah, "um dia de fúria"! Que coisa boa, combina com A Furiosa...).
Sader é o tipo de pessoa que provoca aquilo que a Bíblia chama de ira santa. Se ele estivesse entre os vendilhões do templo, teria sido varrido, escorraçado, atropelado pela fúria crística: afinal, ele vende uma mercadoria podre, ele engana os consumidores, ele tenta atrair, para o abismo da inconsciência, todos os infelizes que ainda não estão vacinados contra a boçalidade. - a maioria das pessoas em Banânia.
Entre outras, é digna de nota a observação de Ângelo, ao confessar que suava e tremia, sentindo-se na cova dos leões, um ambiente inóspito sob todos os óbvios aspectos. Mesmo assim, teve a audácia de fazer uma pergunta ao Aiatolá da Boitempo, corrigindo-o sobre uma citação de Fukuyama, cujo prognóstico sobre "fim da história" passou à difusa autoria, é lógico, dos "americanos e neoliberais", mais uma demonstração do cuidado com que esse primor de pessoinha elabora seu texto - esse sujeito, repetimos, é professor!...
Outra aspecto interessante do post ocorre quando Ângelo fica em dúvida quanto à sua natural aversão ao fulano, ao percebê-lo como um homem velho, mais pra lá do que prá cá (e o boitox, e o boitox???), ou seja, acometeu-lhe uma certa pena, uma comiseração tardia.
Ângelo, não se esqueça jamais que, assim como a maioridade penal é uma falácia - a pouca idade do marginal determinaria o grau da sua responsabilidade -, os velhinhos de todas as épocas são completamente responsáveis por seus atos, exceto se, comprovadamente, já estiverem gagás. Ora, se Sader é gagá, não pode dar aula, fazer palestras, "organizar" livros... Hehehe... Ou pode? Cruzes, esquecemos de onde estamos!
Divirtam-se aqui.

Imagem: a turma dos vendilhões do templo, expulsa por Cristo, um belo El Greco. Lembramos que, para a psicologia analítica de C. G. Jung, o "templo" é um símbolo do Self, a totalidade da psique. Tirem suas próprias conclusões...

Marx, o Groucho

Friday, April 27, 2007

Fora Chinaglia!!! ,,,


Trecho de uma matéria hoje no Globo:

No momento em que o Conselho de Ética anistiava deputados mensaleiros que foram reeleitos, dirigentes da Câmara e líderes partidários decidiram adotar duas medidas para se defenderem de críticas e cobranças: a votação de uma proposta de emenda constitucional (PEC) criando uma espécie de Advocacia Geral do Legislativo; e a abertura de um processo contra o comentarista Arnaldo Jabor, por críticas que fez à impunidade parlamentar.

Só tenho uma coisa a dizer:

FORA CHINAGLIA!!!!!!

Este é o pior congresso que já tivemos, e olha que somos experientes em péssimos parlamentares.

Todos têm o direito e o dever de fiscalizar o congresso e denunciar irregularidades.

Oriane

Thursday, April 26, 2007

Deputados: em dois meses usaram 1 milhão de litros de gasolina. Com a nossa grana!


Imagem: Chinaglia indignado por causa dos comentários de Jabor.

Encontrei a notícia de que Arnaldo Jabor estava sendo processado pelo inominável Chinaglia porque ironizou este inaceitável gasto de gasolina . Estava no blog da Clau, que tem sempre excelentes toques de utilidade pública.
O que será que podemos fazer pelo Jabor? Alguém sabe onde podemos encontrar aquele programinha que manda e-mails para o congresso e ainda atualiza o endereço dos nossos "amados congressistas"?

Clau indicava o texto abaixo, do blog do Diego Casagrande:

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse nesta quinta-feira que são inadmissíveis as críticas feitas pelo jornalista Arnaldo Jabor aos parlamentares brasileiros. Ele afirmou que vai processar Jabor em nome da Câmara dos Deputados. “Chegou ao nível do inadmissível. E, como é inadmissível, vamos, em nome da Casa, processar o jornalista Arnaldo Jabor”, disse o deputado.

Chinaglia ainda qualificou como “defesa da democracia” a iniciativa de mover processo contra o jornalista e foi aplaudido por colegas da Casa. “A desqualificação da política não é um ato ingênuo, é retirar da mão popular e da sociedade o único instrumento para dirimir conflitos ou defender legítimos interesses.”

A revolta do presidente da Câmara aconteceu porque Arnaldo Jabor comentou reportagem que informava que os deputados brasileiros gastaram só em janeiro e fevereiro, 1 milhão de litros de gasolina, o que é suficiente para dar volta ao mundo 250 vezes. Jabor disse: “Todos sabemos que os nossos queridos deputados têm direito de receber de volta o dinheiro gasto com gasolina, seja indo para os seus redutos eleitorais, ou indo para o hotel com suas amantes, ou seus amantes. Quando é que vão prender esses canalhas? Ah, eu esqueci. Eles têm imunidade, têm foro privilegiado. É isso, aí, amigos otários como eu.”

Será que podemos ajudar a salvar o Jabor desta horrível injustiça?

Oriane

Wednesday, April 25, 2007

Escroques que usam Deus para dizer que não fizeram o que fizeram...

Vendo o desembargador Ricardo Regueira mencionando Deus a cada vírgula, eu me pergunto: por que todos os escroques citam Deus a torto e a direito? Na cidade onde mora minha mãe, já sabemos: quando alguém começa a dizer que não faria (ou não fez) isso ou aquilo porque é evangélico - ou usando Deus como desculpa-, aí podemos ter certeza: ele fez ou fará...

Garotões retardados e suas máquinas de destruição em massa

Uma observação sobre o garotão que atropelou a garota e fugiu: agora ele diz que não se lembra de nada, parece o Lula, não sabe de nada. Acontece que isso é regra neste país. Ninguém assume a responsabilidade por nada. Ano passado um parati atropelou uma mulher, que morreu, e também fugiu. No caso desta semana, o crime só não ficou impune por causa do heróico taxista que perseguiu o desgraçado. Uma amiga minha não teve a mesma sorte: um motorista inteiramente bêbado, tipo garotão irresponsável, num mercedão, abalroou o carro dela por trás. Quando ela pediu o cartão dele, ele não quis dar. Tirou uma nota de cinquenta e tentou dar para ela. Estava tão bêbado que mal se mantinha em pé. Ficou agarrando ela e falando umas barbaridades e rindo. Ela disse que ia chamar a polícia e o garotão fugiu largando-a lá, com um prejuízo de mil pratas. Ela anotou a placa. Tinha um monte de homem barrigudo, sem camisa, que foi olhar o acidente. Quando ela pediu para algum deles testemunhar, nenhum se prontificou. Ficaram lá com suas panças e sua covardia...
Até quando a maioria de brasileiros será grosseira, irresponsável e covarde?
Que vergonha do nosso povo!
A placa é de Sampa; William e a turma daí, se vocês virem o carro, tentem descobrir onde mora o canalha. A placa do retardado era: DVG 9744 - São Paulo. O carro era uma mercedes preta.

Vamos nos unir contra essa gente retardada!
Oriane

Tuesday, April 24, 2007

Esquerdistas acreditam ter o monopólio da bondade, e vale tudo em nome disso!

Imagem: Kiev, 1919 - massacre perpetrado pelos Bolchevistas - um dos vários. Foram milhões de mortos por causa deste regime tão compassivo que é o comunismo!

Vejam que delícia o seguinte texto encontrado no blog do Reinaldo Azevedo sobre uma entrevista do Franklin Martins:

O ESQUERDISTA
Indagado por Eleonora, Franklin se definiu como “de esquerda”. E o que é ser de esquerda? Ah, “é acreditar que o mundo é injusto e que essas injustiças não são naturais”. Uau! Eu também sou de esquerda, então. Mas, se eu sou de esquerda, Franklin não é. E vice-versa. Vai ver que a definição é, então, rasa, estúpida mesmo.

Quer dizer que a direita considera, então, o mundo justo? Mais: quer dizer que ela considera que as injustiças nascem em árvores? Há, nessa definição, mais de 200 anos de malandragem teórica. Com ela, fabricaram-se os grandes crimes do século 20. É por isso que Franklin, ao falar de seu passado, disse que “lutou pela democracia”. Falso! Ele não queria democracia. Ele queria uma ditadura comunista.

Alguém reivindicar para a esquerda a primazia da justiça é ignorância de causa ou má-fé. Quem distribuiu mais justiça social, benefícios e qualidade de vida? O capitalismo — deveria ser chamado de “direita”? — ou a esquerda? Ah, mas eu sei bem o que essa crença significa, não é? Se Franklin é de esquerda, se Lula é de esquerda, e se um esquerdista é contra as injustiças, tudo o que ele fizer, embora não pareça, será para garantir mais igualdade no mundo.

Não me refiro a Franklin em particular: estou cada vez mais certo de que um esquerdista está sempre empenhado em cometer ou em justificar alguma forma de crime, nem que seja moral.

Já tive esta discussão com inúmeros esquerdistas. Sempre eles se colocam como os compassivos na contrapartida dos outros que, para eles, são sempre fascistas. Canso de contra-argumentar que o nazismo era um governo de esquerda. Mas esquerdistas, em geral, não são muito cultos, acham que esse hábito de leitura é coisa da Zelite. Mas eles realmente acreditam deter o monopólio do bem-estar no mundo. Concordo com o Reinaldo: se querer distribui justiça social é monopólio da esquerda, então sou de esquerda. Acho que a única diferença é que eu, Reinaldo etc detestamos qualquer espécie de tirania.
Odeio ter que ficar lembrando isso, mas os governos de esquerda são os mais sanguinários e tiranicos. Haja vista Lênin, Stalin, Mao, Pol Pot, Fidel...

Não sei porque, mas lembrei de uma entrevista de Frei Beto. Ao ser perguntado por que Cuba tinha tanta prostituição, saiu com a seguinte pérola: é porque as prostitutas cubanas são muito cultas...
Non sequitur perde... é assim que raciocinam os esquerdistas, um negócio bonito de se ver.

Oriane

Lula, o cabeça de bagre!

Imagem: ficou tosca, mas sendo do Lula não haveria como ser diferente.

“Se eu pudesse acabaria com o Ibama”. A confissão de Lula foi ouvida por interlocutores íntimos dele. Lula está irritado com as exigências feitas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para conceder licenças ambientais. E, sem elas, emperra ou anda devagar a execução de projetos país a fora. É O CASO da construção de duas usinas hidrelétricas no rio Madeira. Ela pode afetar a natureza ao impedir a migração de quatrocentas espécies de peixes — um deles o bagre. Mas Lula está pouco se lixando para a sorte do bagre e de seus parentes. Cobra que as usinas saiam do papel. “Querem jogar o bagre no meu colo”, queixou-se ele na semana passada. E emendou: “Alguns peixes não podem travar o desenvolvimento do país”.

Claro que quando entregamos a presidência da república para um tosco como o apedeuta, devemos imaginar que tais coisas devem acontecer. Não se pode esperar muita profundidade de um sujeito como ele. Lula não está nem aí para os bagres. Aliás, Lula parece desconhecer qualquer idéia que se assemelhe com longo prazo. Meio ambiente? Aposto que ele acha que isso é coisa de boiola. Pessoas como o apedeuta só conseguem imaginar o futuro com um prazo de cinco minutos. Mais do que isso é demais para o intelecto dele.
Interessante, para um cabeça de bagre como ele, não se preocupar com seus pares soa como egoísmo puro. Sem querer ofender os bagres, é claro!
Aliás, Deus me livre, mas o que seria um interlocutor íntimo de Lula? Dá até medo pensar nisso...

Oriane

Monday, April 23, 2007

A igreja Universal vai morrer de inveja!

Este é um movimento que o Serjão criou, e eu tirei do blog do David.

Afinal nós, conscientes do nosso importantíssimo papel na sociedade, também fizemos por merecer um pouco do dinheiro de Banânia!

Oriane

Mais um comunista francês se metendo na nossa vida

Céus, por que será que brasileiro gosta tanto de comunista francês? Aliás, por que será que esses comunas detestam tanto a classe média? A gente vê algum deles falando mal dos ricos? Não, só da classe média. Vejam as pérolas que o "educador" Jean Hérbard soltou:

Foi um erro dos anos 50 repartir o mundo entre duas escolas, a particular e a pública. Porque o que faz a democracia num país é a possibilidade de todas as crianças estarem aprendendo na mesma escola. O lugar onde se partilha uma cultura comum é absolutamente essencial numa democracia.
Não se pode deixar a classe média confiscar a cultura somente para ela. Senão vamos para um mundo em que cada um estará fechado em seu condomínio, com cerca elétrica.

O resumo das idéias do cara é o seguinte: ele acha que a classe média deveria tirar os filhos da escola particular e botar na pública. Para favorecer a convivência, sabe?
Conheço pessoas "duras" que adorariam fazer isso, pois se matam de trabalhar para pagar a escola dos filhos. Uma amiga está desempregada e todo o fundo de reserva dela é para pagar a escola das filhas, uma outra se mata em mil bicos pelo mesmo motivo. E sabe por que senhor educador francês? Porque a escola pública no Brasil é um lixo. E, graças ao governo do apedeuta, vai piorar ainda mais. Para quem não se lembra ele adora bater no peito, tal qual orangotango, para dizer que nunca leu na vida. Aliás, já disse que acredito ser ele um analfabeto funcional. Se é que não é analfabeto mesmo, e esconderam isso da gente. Nossa escola pública não ensina nada a ninguém. Salários aviltantes, escolas caindo, tudo errado! Como ele pode esperar que as pessoas troquem a escola particular por isso? A verdade, o que sabemos com certeza, é que todos nós gostariamos de ter saúde, educação e segurança de graça, popr conta dos impostos abusivos que pagamos. E não temos. Nós, a classe média que estes comunas detestam tanto, nós, que sustentamos este elefante branco, não temos nenhuma contrapartida do estado (só escrevo com minúscula enquanto essa gente estiver no poder), que só faz nos atacar e jogar contra a classe pobre. Por que isso? O que nós fizemos além de pagar imposto para sustentar bolsa família, luz na favela etc?
Será que isso é um plano secreto da França para destruir o Brasil? Sugerir que todas as crianças sejam expostas à bisonha educação pública?
E os ricos, o que ele sugere? Irem para a Suiça? Ou os amigos ricos ficam fora dessa?
E que estória é essa de que a classe média confisca a cultura para si? De onde ele tirou esta noção? Olha, não sei não, mas o discurso desse francês parece o daqueles caras do PSTU.

Caramba, não tenho a menor paciência com esses socialistas de araque!

Oriane

Sunday, April 22, 2007

Vamos reproduzir este texto! Todos devem saber como pensava nosso enésimo ministro!

Imagem: Mangabeira e Lula. Será que Mangabeira foi abduzido? Será esse um clone?

Achei a pérola abaixo no Blog da Clau. Estava procurando por ele. Foi um texto escrito por Mangabeira Unger em novembro de 2005. Mudou de idéia seis meses depois, apoiando a reeleição. Mangabeira Unger anda tentando sumir com esse texto, mas como nós blogueiros somos malvados, vamos distribuir por aí. Todo mundo deve saber o que pensava o ministro! Como diz Reinaldo Azevedo: Interessante! Unger não consegue manter uma opinião por seis meses, mas será o homem do longo prazo...

Segue o texto:

Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos.

Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente. As provas acumuladas de seu envolvimento em crimes de responsabilidade podem ainda não bastar para assegurar sua condenação em juízo. Já são, porém, mais do que suficientes para atender ao critério constitucional do impedimento. Desde o primeiro dia de seu mandato o presidente desrespeitou as instituições republicanas. Imiscuiu-se, e deixou que seus mais próximos se imiscuíssem, em disputas e negócios privados. E comandou, com um olho fechado e outro aberto, um aparato político que trocou dinheiro por poder e poder por dinheiro e que depois tentou comprar, com a liberação de recursos orçamentários, apoio para interromper a investigação de seus abusos.

Afirmo que a aproximação do fim de seu mandato não é motivo para deixar de declarar o impedimento do presidente, dados a gravidade dos crimes de responsabilidade que ele cometeu e o perigo de que a repetição desses crimes contamine a eleição vindoura. Quem diz que só aos eleitores cabe julgar não compreende as premissas do presidencialismo e não leva a Constituição a sério.

Afirmo que descumpririam seu juramento constitucional e demonstrariam deslealdade para com a República os mandatários que, em nome de lealdade ao presidente, deixassem de exigir seu impedimento. No regime republicano a lealdade às leis se sobrepõe à lealdade aos homens.

Afirmo que o governo Lula fraudou a vontade dos brasileiros ao radicalizar o projeto que foi eleito para substituir, ameaçando a democracia com o veneno do cinismo. Ao transformar o Brasil no país continental em desenvolvimento que menos cresce, esse projeto impôs mediocridade aos que querem pujança.

Afirmo que o presidente, avesso ao trabalho e ao estudo, desatento aos negócios do Estado, fugidio de tudo o que lhe traga dificuldade ou dissabor e orgulhoso de sua própria ignorância, mostrou-se inapto para o cargo sagrado que o povo brasileiro lhe confiou.

Afirmo que a oposição praticada pelo PSDB é impostura. Acumpliciados nos mesmos crimes e aderentes ao mesmo projeto, o PT e o PSDB são hoje as duas cabeças do mesmo monstro que sufoca o Brasil. As duas cabeças precisam ser esmagadas juntas.

Afirmo que as bases sociais do governo Lula são os rentistas, a quem se transferem os recursos pilhados do trabalho e da produção, e os desesperados, de quem se aproveitam, cruelmente, a subjugação econômica e a desinformação política. E que seu inimigo principal são as classes médias, de cuja capacidade para esclarecer a massa popular depende, mais do que nunca, o futuro da República.

Afirmo que a repetição perseverante dessas verdades em todo o país acabará por acender, nos corações dos brasileiros, uma chama que reduzirá a cinzas um sistema que hoje se julga intocável e perpétuo.

Afirmo que, nesse 15 de novembro, o dever de todos os cidadãos é negar o direito de presidir as comemorações da proclamação da República aos que corromperam e esvaziaram as instituições republicanas.

Excelente texto, professor!

Valeu, Clau!

Oriane

Lula, o sábio!

http://resistenciabr.files.wordpress.com/2006/12/lula-copy.jpg

Mais uma de Lula, o iluminado:

“A engenharia brasileira construiu o carro
do futuro para diminuir o aumento da caloria
no nosso planeta”

Já que ele não faz nada mesmo, pelo menos podia ficar calado! Essas coisas envergonham a gente.

Oriane


Saturday, April 21, 2007

Estudante profissional de 30 anos ganha boquinha no ministério dos esportes...

stalin.jpg

Imagem: Stalin batendo palmas para os vagabundos profissionais

Sei que muitos dos que frequentam este blog são universitários. Os que estudam em Universidade pública devem conhecer a famosa figura do estudante profissional. Trata-se daquele cara que estuda na universidade há vários anos, mas que você nunca viu na sala de aula, ou por outra, até viu, mas ele entrou junto dos militantes do PSTU para falar dos "porcos capitalistas". Nas reuniões de departamento, comissões de bolsa, comitês, o cara está sempre lá. Aula que é bom, nada! Estes caras ficam lá, infernizando aqueles que querem estudar, galgando posições de poder na burocracia universitária. Aí, quando você precisa de um prazo para defender sua tese é este idiota que decidirá. Ele e vários outros militantes que também nunca foram à aula. Descolam uma representação em movimento estudantil e toca de viajar às nossas custas. Depois disso não querem sair mais da universidade. Na minha, há um cara famoso que está na graduação há uns dez anos. Já foi a vários lugares com a grana da universidade. Nunca o vi em sala de aula.

Quando dei aula na pública virei inimiga desta gente. Não havia semana em que não pedissem para entrar e protestar contra algo ou fazer campanha para o grêmio. Eu jamais permiti que entrassem. Pediam e eu negava e ficavam com cara de furiosos do lado de fora. Já fui ameaçada e tudo. Outro dia, como aluna, na véspera das eleições, eles entraram. O discurso é que nós deveríamos votar no Lula para impedir que a "ultra-direita" capitalista chegasse ao poder. Me retirei e depois reclamei com a professora. E ainda falaram em nome de todos os alunos, pois fazem parte do grêmio. Enfim, a barbárie.

E hoje no Globo me deparo com a seguinte notícia:

Para ocupar a secretaria executiva do Ministério do Esporte, segundo cargo mais importante na pasta, foi nomeado o estudante de medicina Wadson Nathaniel Ribeiro, de 30 anos. Ele não tem qualquer experiência na área, mas tem duas qualificações para a indicação: é filiado ao PCdoB e trata-se de um ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), tal qual o ministro do Esporte, Orlando Silva...
...Wadson estuda medicina na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Ele presidiu a UNE entre 1999 a 2001 e atua há vários anos no movimento estudantil.

E aí, vocês reconhecem esse cara? Eu reconheço, é o estudante profissional e ele vai ocupar um cargo a respeito do qual não entende nada. E sabe quem vai pagar por isso? Nós, os otários que nos matamos de trabalhar e entramos no mercado de trabalho com muita dificuldade. Neste governo, privilegiado é aquele que não faz nada, o vagabundo mesmo. Vide nosso presidente.


Oriane

Friday, April 20, 2007

Franklin Martins: o com-TV.

Imagem: Franklin Martin - é bom estar do lado do poder - .
Ok, já sabemos que o objetivo de Franklin Martins é o mesmo de Lula, Pink e Cérebro: dominar o mundo. Ele, assim como vários esquerdistas brasileiros, acredita que o início desta grande cruzada é destruir as organizações Globo. Alguma espécie de frustração, um ódio-amor, sei lá o que move essa gente. No caso de Franklin Martins é despeito mesmo, tomou um pé da emissora no ano passado. Mas acho entre cômico e ridículo. Sabe aquele slogan idiota - o povo não é bobo, abaixo a rede Globo - ? Bem "forum social" não?
Para justificar a rede pública, entre outras pérolas, o Sr. Martins me saiu com essa:
Por que não podemos ter um programa que nos fale sobre a África? Pelo menos 30% do povo brasileiro vêm da África. Por que nenhum telejornalismo no Brasil tem um correspondente num país africano? A TV comercial é obrigada a trabalhar buscando o grande público — disse.
Uau! Agora entendi porque o Franklin Martins foi defenestrado da Tv privada: ele não tem o menor jeito para a coisa. Se ele acha que o grande público está realmente interessado num programa sobre a África, então é porque não entende nada de audiência, público, televisão. Sempre falo sobre a cultura do ressentimento: se não posso ter eu odeio. Franklin não pode se manter na TV privada, então resolveu criar uma TV só para ele.
So sweet!!!! Diga-se de passagem que já tive o prazer de trabalhar numa editora que editou um livraço sobre a África. Era o nosso pior encalhe. Tudo bem que isso não prova nada, mas precisam ver a cara de paisagem que as pessoas fazem quando indico este livro. Ninguém está nem aí para a África, isso inclui os afro-descendentes. Principalmente o público de televisão que, em geral, não está muito aí para a cultura. Quer entretenimento mesmo. O que significa dizer sem paternalismo boçal: o que diabos a África tem a oferecer em termos de programa de entretenimento, ou mesmo como entretenimento em si ( afora a belíssima paisagem)? Mesmo sendo a cultura Africana riquíssima, como de fato é, alguém assiste programa de cultura aqui? Será que ele acha que programa de cultura dá audiência? O tal "grande público" também não está nem aí para a cultura. Um programa sobre as riquezas culturais da África teria 0 de audiência. Editoras de cultura, como Ateliê Editorial, Paraula etc estão sucumbindo por falta absoluta de público. O que vende mesmo é Paulo Coelho.
Sabe, ficaria muito curiosa para ver a audiência desta TV se não soubesse que ela vai ser feita
com a nossa grana. Nó nos matamos de trabalhar para sustentar esta porcaria de governo que só pensa em marketing e mesmo quando pensa nisso é incompetente. Tão incompetente a ponto de dar uma TV a quem não entende nada do assunto.
O que recebemos em troca de nossos caros impostos? Saúde, segurança, educação? Não, recebemos propaganda e frases estúpidas de efeito ( ou por outra, só fazem efeito em retardados).
Quanto vai custar essa farra? Em vez de implementar esse lixo por que não diminuir a CPMF?
Eu sei porque eles querem tanto fazer esta "coisa". Agora toda a "cumpanherada" vai poder dizer que trabalha na televisão.
Vai ter bastante emprego para todas essa gente.
Caramba, essa TV vai ser....
Oriane

Thursday, April 19, 2007

Pentecostal pisa na bola, e a culpa é dos católicos!

Imagem: Leirner. Na verdade, poderia ser qualquer um. Essa coisa de comunista que odeia a Igreja!... Na verdade, são todos muito parecidos (é só ver a foto do Lula).

O bispo (ou seja lá o que for) Crivella, evangélico, inventou uma proposta bisonha para que as igrejas sejam contempladas com a lei Rouanet. Um absurdo. Os católicos ficaram horrorizados. Diga-se de passagem que os evangélicos de denominação séria também ficaram horrorizados.

Aí aparece um artista plástico chamado Nelson Leirner dizendo a seguinte pérola:

É o maior absurdo que já ouvi na face da terra (até aí tudo bem, também achei isso.). Uma palhaçada. Faz parte de todo panorama que nós vivemos. Acho que eles querem fazer isso junto com a visita do Papa (????????????????????????).

Hein????? Então o Bispo Crivella que é evangélico neopentecostal propõe este absurdo e a culpa é do Papa? Será que o Sr. Leirner acha que são todos a mesma coisa? Ou será que é um destes esquerdistas "na moda" que acha que é "legal" culpar a Igreja Católica por tudo? Será que ele acha que Igreja é "tudo" a mesma coisa? Ou será que quis causar "sensação"?
Conheço as obras de Leirner, sei que são boas. Boas não, ótimas! Mas as declarações dele me fazem vê-lo como um boçal. Não ouço as músicas de Caetanto e nunca mais volto numa exposição de Leirner.
Acho essa gente que culpa a Igreja por tudo tão lugar-comum! Não há arte que sobreviva ao lugar-comum.
Oriane

Michelangelo - a celebridade renascentista.

Imagem: Moisés de Michelangelo - seria mais uma obra inspirada no Laocoonte?

No post abaixo eu peço para minha amiga historiadora da arte que me lembre quem foi que disse que a contemporaneidade escolhe mal suas celebridades. Eis a resposta dela. Como ela já é quase um elemento do blog vou dar a ela, provisoriamente, o nome de Diotima...

Oriane bela,

foi o grande Ortega y Gasset, em A Rebelião das Massas.
Pouco após a morte de Michelangelo, o artista e historiador da arte Giorgio Vasari profetizou que a cerimônia fúnebre em honra a Michelangelo “sarà cosa che né’ papi né gl’inperatori né’ re non l’ànno auta mai” (isto é, será algo que nem papas, nem imperadores, nem reis tenham tido jamais). E assim foi. Com perdão, permito-me transcrever abaixo uma passagem de um texto que escrevi sobre o epistolário do artista:


"Apesar da insistência com que neste período o duque Cosimo I Medici, freqüentemente através de Vasari, convida-o a restabelecer-se em Florença sob a sua proteção (cfr. cartas LVIII e LIX), as duas últimas décadas de vida de Michelangelo transcorrem quase ininterruptamente em Roma, onde mantém sua antiga casa em Macel de’ Corvi. Nestes anos, o artista é praticamente soterrado por encomendas artísticas, invariavelmente provenientes do papado ou das mais seletas casas nobiliárias romano-florentinas; paralelamente, realiza obras que presenteia a amigos ou que simplesmente conserva para si próprio. Sua fama cresce extraordinariamente a partir de meados dos anos 1540, assim como a admiração universal pela grandeza de sua obra; o apelativo "divino" -empregado pela primeira vez, salvo erro, por Ariosto em 1532 - tornara-se corrente na segunda metade dos anos 1540. Quaisquer opiniões de Michelangelo acerca da arte e de projetos artísticos, durante estas décadas, divulgam-se com uma celeridade inédita; copiam-se suas obras; suas rimas difundem-se; publicam-se, além das biografias de Vasari (torrentiniana) e Condivi, os escritos de Giannotti, Hollanda, Varchi e Doni; realizam-se diversos retratos seus , e os mais destacados personagens do âmbito político, artístico e religioso tanto italiano como estrangeiro alternam-se em visitá-lo e render-lhe hiperbólicas homenagens.
Não apenas suas obras, mas também sua vida é alçada ao palco: Buonarroti transforma-se,malgrado seu, em algo parecido ao que contemporaneamente chamaríamos “pessoa pública”, sendo seus atos constantemente escrutinados, suas decisões debatidas, suas preferências emuladas. Como um reflexo natural disto, a parte final do epistolário, tal como se o conhece atualmente, é a mais copiosa: qualquer missiva de Michelangelo, por insignificante que fosse, era guardada por seu destinatário como a mais preciosa relíquia . (...)
Imediatamente após sua morte, Fidelissimi escreve a Cosimo I informando-lhe acerca do sucedido e reiterando o desejo expresso por Michelangelo de ser sepultado em Florença; no dia seguinte Averardo Serristori, embaixador do duque, envia-lhe outra carta avisando-lhe que, já havendo sido inventariados seus bens em presença de Volterra e Cavalieri, não se encontrara nenhum dos desenhos que o duque esperava receber: “dicono che già abbruciò ciò che aveva”. Vasari conta como Leonardo, quem finalmente chegara a Roma no dia 21, conseguira secretamente trasladar o cadáver de Michelangelo - disfarçado, como uma mercadoria, no interior de uma caixa - a Florença, a fim de evitar os protestos dos romanos, que poderiam reclamar a honra de albergar seus restos mortais . O corpo chega a Florença no dia 10 de Março, supostamente incorrupto ; Vasari recebe-o na alfândega e, em nome da Accademia Fiorentina, coordena sua transferência primeiramente à Compagnia della Assunta, e, de lá, no dia 12, à Santa Croce – igreja que, como se sabe, albergava os restos de alguns dos mais ilustres cidadãos florentinos, constituindo uma espécie de equivalente ao Pantheon romano. Vasari conta que, tendo-se espalhado por Florença a notícia de que o cadáver de Michelangelo havia chegado à cidade e estava prestes a ser trasladado a Santa Croce, uma multidão acorreu a acompanhá-lo, de maneira que foi com dificuldade que se conseguiu transportá-lo ; uma vez lá, o corpo foi provisoriamente depositado em um jazigo, sobre o qual, ao longo dos dias sucessivos, afixaram-se inúmeros poemas latinos e vernáculos em honra ao mestre . Durante os quatro meses seguintes, organizar-se-iam, sob a supervisão de Vasari e do presidente honorário da Accademia, Vincenzo Borghini, as espetaculares exéquias de Michelangelo, as quais, inteiramente financiadas por Cosimo I e projetadas conjuntamente por Vasari, Bronzino, Cellini e Ammanati, se realizariam por fim no dia 14 de Julho em San Lorenzo, onde se encontrava a maior obra florentina de Buonarroti. Jamais um artista fora honrado com tanto fausto e pompa. A igreja, vestida de negro e albergando em sua nave um enorme catafalco atrás do qual erguia-se uma altíssima pirâmide de velas, encontrava-se abarrotada ao iniciar-se a cerimônia com um solene Réquiem; após a finalização da missa, Varchi pronunciou uma longuíssima oração fúnebre dividida, segundo o uso, em três partes, nas quais respectivamente louvava a perfeição de Michelangelo nas três artes, admirava sua vida e obra como poeta, filósofo e teólogo, e finalmente exortava os ouvintes a celebrar sua vida antes que lastimar sua morte. Em uma carta escrita ao duque Cosimo – quem não pôde comparecer à Igreja por não se encontrar em Florença naquele momento – no próprio dia 14, Vasari afirma que nunca anteriormente se haviam reunido tantos destacados artistas, juristas, nobres, políticos e letrados, como naquela ocasião."

Como diria o bom e velho Cícero:
o tempora, o mores...

Diotima

Tuesday, April 17, 2007

Sociedade do Espetáculo

Imagem: um dos livros da minha vida - A Sociedade do Espetáculo, Guy Debord.

Esta semana havia uma longa discussão no jornal a respeito da carta de Du Moscovis sobre seu problema com fotógrafos e caçadores de celebridades. Sequer li a carta, não me interesso por estas coisas, mas adoro ler as cartas dos leitores do Globo. A maioria das cartas de outro dia era sobre esse assunto. Vários leitores se deram o trabalho de escrever para o jornal, se solidarizando com o ator.
Já escrevi aqui várias vezes sobre o culto às celebridades e o quanto isso era pernicioso. Fenômeno mundial, levou um historiador da arte (amiga historiadora e leitora do blog: atualize-me, pois esqueci quem era...) a afirmar: a contemporaneidade escolhe muito mal suas celebridades. Falava assim com base na grande celebridade da Renascença: Michelangelo, esse sim uma celebridade a ser admirada. As celebridades de hoje: Alemão, Luciana Gimenez, Latino...pessoas que mal falam português e provavelmente nunca leram um livro na vida.
Lembrei-me do excelente livro de Guy Debord: A Sociedade do Espetáculo. Nele Debord comenta que o espetáculo tomou tal dimensão que já não se pode separar o que é real do que é "espetáculo". Não se pode mais separar o que é arte, de verdade, e o que é apenas mídia. Também não se pode mais diferenciar um bom político do que é apenas um produto da mídia. A mídia toma conta de nossas vidas nos dizendo quem somos e o que fazer.
Já cansei de entrar em lojas onde a vendedora tenta me vender algo dizendo: todo mundo está usando. Para mim é a frase mágica, aí é que não compro mesmo! O que leva esta pessoa a crer que eu quero ser igual a todo mundo?
Por que existe esta cultura de massa? Não seria uma necessidade de se nivelar tudo por baixo para planificar o consumo? Venda em massa, essas coisas. O efeito colateral é essa bizarrice de celebridades. Quando jovem, adorava Caetano; hoje em dia o detesto, não por causa das músicas, mas pelo seu excesso de celebridade. Tudo se pergunta a Caetano, como se a opinião dele sobre economia fosse importante apenas porque ele é uma celebridade. Caetano entende de música, este é o ofício dele. Sua exposição na mídia faz com que aqueles que gostam de música possam detestá-lo, mesmo gostando da música dele.
Du Moscovis estava certo? Claro que sim, mas ele é fruto e faz parte desta estranha máquina de moer carne. Nada sei quanto ao seu talento, mas sua raiva deveria se voltar contra este bando de atores de malhação, ou gente recém-saída do BBB, que se deslumbra com essa idéia de ser celebridade e alimenta estes lixos. Adoram sair na Caras, na Quem etc. Alguns ligam para o jornal e avisam: vamos para lá etc...
Contra esses é que ele deveria se insurgir. E quanto às milhares de pessoas que consomem estas porcarias? São frustrados, com uma vida pobre e triste, porque precisam viver a vida de alguém para poder ter algo. É triste, principalmente se pensarmos que estas pessoas seriam muito mais felizes se fossem à biblioteca e pegassem um livro de graça para ler. Mais barato e eficiente do que uma revista de fofocas. Estes atores, que ganham fortunas por conta de sua celebridade, deveriam tentar emprestar sua imagem para estimular leituras e batalhar contra estas celebridades instantâneas que acabam transformando todos em farinha do mesmo saco. Será que a arte de Du Moscovis é melhor que a de Kleber Bambam? Provavelmente sim, então cabe a ele demonstrar como os Bambans da vida estão ajudando a enterrar a arte.
É só olhar a temporada atual de Malhação: os atores são tão ruins que até o público está reclamando. Vou tentar ver um dia desses para comentar, embora minha televisão não tenha antena: só serve para DVD. Para ver tv aberta tenho que fazer à moda antiga e usar um bombril em cima de uma antena velha. Trabalho demais para ver lixo. Mas estes atores estão lá por um motivo, são lindos, modelos, filhos de atores, amantes de diretores etc. Só isso os faz acreditar que podem ser atores. Mas não podem! E contra isso os atores deveriam se insurgir, como fez Fernanda Montenegro. São essas pessoas, em geral superficiais, ignorantes, que acreditam que a beleza é tudo, ou seja, que acreditam no poder do espetáculo enquanto espetáculo, sem talento ou trabalho, são elas que estão destruindo o trabalho dos verdadeiros atores. Estas pessoas são pouco melhores do que eletrodomésticos falantes, mas com uma cara lindinha.
Quem pode suportar exposição de pinturas de Jô Soares, Vera Fischer, enquanto tantos artistas sérios não têm onde expor? Quem pode suportar artistas que, por serem filhos de artistas famosos, conquistam espaço na mídia no lugar de tantos talentos que não têm QI?
"Sociedade do Espetáculo" é isso, uma perversão do que é a verdadeira arte, a aparência no lugar do conteúdo, a profundidade sendo descartada em favor do que é fácil de entender. A incapacidade de compreender mais do que três frases seguidas. As imagens tomando o lugar das palavras e um vocabulário que se reduz a cada dia. Atores medíocres que ganham dez vezes mais do que artistas de verdade.
Enfim, o fim de todas as nossas ilusões utópicas de uma cultura que possa produzir algo de bom.
Triste destino para nossa humanidade.

Oriane