Tuesday, December 05, 2006

Olavo, arrasador....


O texto, na íntegra, pode ser lido aqui.

Enquanto a Zé-elite dorme.

"Se tenho insistido no tema do desconstrucio- nismo, é para mostrar que toda tentativa de discussão democrática com intelectuais ou líderes esquerdistas, hoje em dia, é tempo perdido. Eles criaram instrumentos verbais altamente sofisticados para escapar de toda cobrança racional e impor seus desejos e caprichos sem ter de dar satisfações senão à sua vontade de poder. Mais ainda: inventaram um sistema de pretextos infalíveis para sentir que, ao fazer isso, são as melhores pessoas do universo, contra as quais só monstros de egoísmo e crueldade poderiam objetar alguma coisa. (...)

Hegel dizia que aquele que nas discussões públicas se abstém de razões e apela à autoridade secreta da sua “voz interior” é um inimigo da espécie humana. Extinta a possibilidade de aferição objetiva, suprimidos os instrumentos de prova, reduzido o debate a um confronto de vontades, a única autoridade que resta é a pura habilidade de impressionar, de assombrar, de seduzir, de hipnotizar.

(...) Uma vez conquistada a adesão estudantil pelo fascínio vulgar de charlatães bem-falantes, a autoridade se transfere a gerações inteiras de jovens enragés que saem da faculdade imbuídos do dever de “transformar o mundo” por meio da mentira e do engodo.

Por toda parte, esses “agentes de transformação social” se empenham em fazer com que as engrenagens da sociedade funcionem ao contrário das suas finalidades nominais, criando o caos em lugar da ordem, a revolta e o ódio em vez da paz, a malícia em vez da confiança. Em suma, caro leitor, você está rodeado de ativistas cínicos, capazes de mentir e trapacear ilimitadamente no interesse do seu grupo político. (...)

E ainda há quem, no meio disso, acredite poder confiar nas leis e instituições, no funcionamento normal da sociedade, na sanidade do processo democrático.

(...) Quase um século depois de Lukács, Gramsci, a Escola de Frankfurt e o próprio Stálin haverem descoberto que a "cultura", e não a economia, é a "força que move o processo revolucionário", esses observadores vesgos ainda acreditam que existe um abismo entre o mundo “prático” e a esfera dos interesses “abstratos”, “estratosféricos”, da intelectualidade acadêmica e artística. Estratosféricos são eles, habitantes do mundo da Lua. (...)

(...) Na década de 30, Stálin estava persuadido de que a única função da arte e da literatura era a propaganda revolucionária. Parida às pressas pela Academia Soviética, a teoria estética do “realismo socialista” impregnou massas de escritores e artistas em todo o mundo comunista. Só não chegou a tornar-se um dogma universal porque, no Ocidente, Stálin reservava às celebridades das letras e artes uma função mais sutil. Queria usá-las como instrumentos de camuflagem: deviam abster-se da filiação explícita ao Partido Comunista (e portanto também às suas opções estéticas) e, conservando uma "fachada de neutralidade", colocar o seu prestígio a serviço de causas específicas de interesse do Partido nos momentos decisivos. Isso deu aos escritores esquerdistas da Europa e das Américas a margem de liberdade que lhes permi- tiu escapar do realismo socialista e continuar fazendo literatura em sentido estrito. Por toda parte, poetas, romancistas e críticos – a começar pelo príncipe da crítica marxista, Georg Lukács em pessoa e seu fiel escudeiro Lucien Goldmann – desprezavam a estética oficial soviética e faziam a apologia dos cânones literários que construíram a grandeza de Shakespeare, Cervantes, Goethe, Balzac e Dostoiévsky. Lukács escreveu páginas notáveis em defesa do grande realismo burguês, alegando que a representação fiel da realidade histórica era uma força revolucionária em si, sem necessidade de concessões à propaganda.(...)

Assim a literatura foi salva do embrutecimento ideológico. Os anos 30-50 acabaram sendo uma época de criatividade literária incomum. No Brasil, então, nem se fala. Nunca tivemos tantos escritores bons e ótimos ao mesmo tempo.

Mas foi uma salvação provisória. Aqui e ali, discretamente, intelectuais iluminados se davam conta de que a preservação dos cânones do realismo e, de modo geral, a concepção da literatura como conhecimento, eram "incompatíveis" com a meta escolhida pelo próprio Lukács: a destruição da civilização ocidental. Puseram-se então a trabalhar na idéia de que a literatura não podia conhecer a realidade, já que – segundo entendiam -- a própria realidade era uma invenção literária. Para dar a essa idéia um arremedo de consistência, apelaram a um formidável arsenal de recursos extraídos da "língüística, da antropologia, da lógica formal, da “teoria crítica” frankfurtiana e das filosofias de Nietzsche e Heidegger". Em menos de uma década a proposta havia evoluído para a formulação radical do desconstrucionismo: não existe realidade nem conhecimento, nenhum discurso tem significado, o significado é livremente inventado por “comunidades interpretativas” que aí projetam como bem entendem seus desejos e interesses, portanto tudo o que há para fazer é reunir a comunidade e ensinar-lhe os meios de usurpar o sentido dos textos em benefício próprio.

De súbito, a doutrina de Stálin-Jdanov era restaurada em todo o esplendor da sua brutalidade, mas agora resgatada da sua pobreza teórica originária e paramentada com todos os adornos da sofisticação acadêmica. O desprezo pela verdade, a legitimação da mentira politicamente útil, o cinismo das interpretações forçadas, enfim a prostituição total das atividades intelectuais superiores aos interesses de grupos de pressão tornaram-se não só legítimos e recomendáveis, mas intelectualmente elegantes e moralmente obrigatórios. Na mesma onda, as distinções entre o verdadeiro e o falso, entre cultura e incultura, entre o esteticamente superior e inferior, foram condenadas como instrumentos de opressão e substituídas pelo culto de qualquer bobagem politicamente oportuna que se apresentasse. Toni Morrison foi igualada a Shakespeare, as novelas de Gilberto Braga cele- bradas como portadoras da “universalidade de um Balzac” por ser bem aceitas em todos os mercados. Considerar Bach superior a Gilberto Gil tornou-se algo assim como um crime de racismo.

Não é preciso dizer que o primeiro resultado foi a pura e simples desaparição da grande literatura. A segunda metade do século XX não gerou nada que se comparasse nem de longe a um Thomas Mann, a um Proust, a um Jacob Wassermann, a um Hermann Broch, a um Robert Musil, a um Antonio Machado, a um Bernanos, a um Mauriac. Nas nações do Terceiro Mundo, as sementes da cultura superior em gestação foram impiedosamente arrancadas. O país que cinqüenta anos atrás tinha Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Annibal M. Machado, Marques Rebelo, José Lins do Rego, agora lê Luís Fernando Veríssimo e acha o máximo.

Se os efeitos se limitassem à esfera das letras, já seriam suficientemente perversos. À retração da criatividade literária corresponde, pari passu, a degradação da linguagem pública, a progressiva incapacidade de expressar a experiência real e, conseqüentemente, a fixação dos debates em estereótipos alienados, prenunciando a ascensão da loucura geral como alternativa política.
(...)"

Comentários:
Essa ampla, aguda compreensão do que tem ocorrido no Ocidente, nos vários setores da vida social, sob a égide da ignorância deliberadamente programada pela esquerda internacional, faz desse texto de Olavo um "abre-te sésamo" para quem se preocupa em encaixar as partes no todo, fechando a gestalt da estupidez que nos cerca e sufoca. Trata-se de um escotoma gigante. Livrem-se dele!
E nada é por acaso: observem, observem...

Marx, o Groucho

Monday, December 04, 2006

Nepotismo artístico...


Ontem foi o último dia para assistir à exposição de Ligia Clark no MAC. Infelizmente o acervo mostrado foi mínimo, apenas a coleção Satamini. E sabem por quê? Os herdeiros, filhos da artista, pediam uma base de 200 mil reais por cada obra para exposição. É isso mesmo. Para expor obras de Ligia, encomenda-se uma maquete. Os originais nunca são expostos. Pois bem, os herdeiros, uns inúteis que vivem à sombra do trabalho da mãe, cobram essa fortuna por cada maquete que eles dizem que destroem depois. Logo a Ligia Clark, que fazia questão que seu trabalho chegasse para todos.
É muito comum no Brasil que filhos de artistas passem a vida vivendo do nome dos pais. Pessoas sem talento que sempre querem faturar mais algum. Várias publicações e exposições deixaram de ser feitas, homenageando o artista, porque a família quer um troco. Não importa o prestígio da homenagem, mas a grana que se pode levar com isso. Um vergonha.
Já há muito venho criticando esse nepotismo na cultura. Os filhos de famosos seguem a cerreira dos pais, levam um empurrãozinho e é isso aí. Porque será que todas as ninfetas querem casar com diretores de televisão?
Com exceção da Fernanda Torres, esse hábito está trazendo uma geração de nulidades para a arte. Vide Tarcizinho, ou aquele filho inexpressivo da Lucélia Santos (que já não era muito expressiva), Tato Gabus ( em contrapartida ao irmão que é melhorzinho), as filhas do Benedito Ruy Barbosa, os filhos de Chico Anísio... os exemplos são inúmeros!
É muito triste que estas pessoas usem o trabalho dos pais como porta de entrada para a exposição de sua nulidade. A filha de Daniel Filho atuando parece um weletrodoméstico falante! Mas é filha do Daniel...
Mas nada, nada chega aos pés da vilania das famílias de artistas plásticos. E nessa, os filhos da Lígia Clark ganharam longe.
Triste o estado da nossa cultura...

Oriane

Sunday, December 03, 2006

Lobos em peles de Cordeiro - neopentecostais


Não sei se eu já disse aqui, mas detesto evangélicos pentecostais e neopentecostais. É atávico. Acho que eles nascem no embuste:não há justificativa para aquela baboseira do batismo pentecostal. Isso quer dizer que você se torna evangélico mentindo, fingindo que fala em outra língua. Ou tendo um surto psicótico e realmente acreditando falar línguas desconhecidas.Uma vez fui perguntar a uma evangélica qual língua ela havia falado. Ela me respondeu que havia falado línguas antigas. Eu ainda insistí e ela disse que era a língua dos anjos.
Vou discordar de Reinaldo Azevedo. No texto abaixo ele fala que não confia numa igreja mais nova do que o uísque dele. Eu não confio em nenhuma com menos do que dois mil anos.
Pus só uma parte do post. Vocês podem ler a íntegra no Blog do Reinaldo.

Um dos direitos sagrados nas sociedades livres é o de um trouxa se deixar enganar. Só a consciência protege o homem de si mesmo.

Já lhes disse o que penso sobre essas seitas neopentecostais: não respeito igreja mais nova do que o uísque que bebo. Mas não dá para impedir picaretas de vender milagres.

O que podemos, aí sim, é impedi-los, de conquistar concessões públicas de rádio e televisão. Impérios de comunicação se constroem sobre a fraude, a mentira, o dolo. A religião vira pretexto para o gangsterismo; bancadas ditas evangélicas se formam para assaltar o erário. Basta ver o número de ditos “pastores” envolvidos com a máfia dos sanguessugas. Aí é preciso agir, sim. Porque envolve recursos públicos.

Dia desses, cheguei bem tarde de um jantar e havia abusado um pouco da água com gás... Não me sentia confortável para escrever, ler ou mesmo ir dormir. Resolvi tomar um Sonrisal e liguei a TV. Era um culto da tal Igreja Renascer. Depois de a “bispa” Sônia “falar em línguas” — ela exercitando a glossolalia, um dos dons do Espírito Santo, é momento único... —, uma moça foi ao palco para anunciar que havia acabado de lhe nascer um dente. Os fiéis aplaudiram o "milagre". Outra, que estava dura, brandia uma nota de R$ 50 que acabara de achar. Ninguém reclamou a perda. O que fazer sobre isso? Nada! Não há tolice maior do que convocar um tolo para a marcha da razão.

O Brasil também elegeu um mágico. E pai de mágico. Fábio Luiz da Silva não é pastor, mas também se dá muito bem em canal de televisão...


Oriane, comentando Reinaldo Azevedo e Evangélicos...

Petralhas deslumbrados


Gente, o que foi aquela matéria sobre o Dirceu hoje no Globo?! Enquanto o bilionário David Rockfeler anda de avião de carreira o Zé só anda de jatinho particular.
Essa gente é muito deslumbrada mesmo. Quando reclamamos do avião do Lula reclamamos, na verdade, do deslumbramento que o levou a comprar um avião caríssimo e no qual só anda em pijamas de seda. Faz sentido uma vez que ele não sai de lá de dentro. O que Lula gosta mesmo de fazer é de andar de avião. Por isso comprou, com o nosso dinheiro, um bem luxuoso para passear. Ele sequer tem expediente, mas passeia para cá e para lá de pijamas de seda. Lula-pijamas, uma associação fácil de se fazer.
Aliás, de onde vem a grana do Dirceu? O cara está todo repaginado, só anda de jatinho e só veste Armani.
Não sei não, mas eu desconfio de onde vem essa grana.
Do meu, do seu, do nosso bolso!

Oriane

Einsten, escotoma e a reeleição do Keiser...


Insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar um resultado diferente - inspiradíssima frase de Einstein

Bem, meu caro Einstein, Lacan diria que se trata de um caso de escotoma, ou seja, um ponto cego, uma incapacidade de jogar luz na sombra, uma cegueira temporária muito looooooonga, que, às vezes, pode acabar em escuridão permanente ou, por augúrios mais afinados, em súbita iliminação, fenômeno psíquico conhecido como insight - na pscologia da Gestalt -, algo como satori, no Zen, ou pura e simplesmente, em proporções cósmicas, um sonoro CAIU A FICHA!...

Quer dizer, então, que o Keiser foi reeleito por causa de um gigantesco escotoma coletivo? - perguntaria um dos nossos 400 leitores perplexos. SIM, SIM, SIM! Oftalmologista já!
Exemplo chinfrim de escotoma coletivo, em texto de hoje do Reinaldo: ... miséria cresce, e Chávez é favorito...
Definitivamente, o grande escotoma é a falta de nexo entre discurso e realidade. Alguma novidade nisso?

Nos próximos capítulos, causas profundas e rasas do escotoma! Aguardem!

Marx, o Groucho

Mais uma metáfora desaforada: cérebro de petralha!



Eis aí um escotoma ambulante! Analisem tudo direitinho e chegarão a conclusões terríveis...

Imagem: radiografia de petralha, feita por Bosch...

Oriane! Arranja uma metáfora para os neopentecostais!
Marx, o Groucho

Saturday, December 02, 2006

Um primor de estupidez


Olhem só a que nível de belelequice ultrapiscótica chega a petralhada, lendo este trecho sobre Frei Betto, extraído do texto de Carlos I.S. Azambuja, Frases que fizeram a História – 1ª parte:

"Frei Beto, no II Fórum Social Mundial usou da palavra e, lá pelas tantas, disse que a sociedade do futuro mais livre, mais igualitária e mais solidária se define em uma só palavra: socialismo. Pediu uma salva de palmas para Karl Marx e disse que o homem novo deve ser filho do casamento de Ernesto Che Guevara e Santa Teresa de Jesus."

Well, seria um estupro, darling!

Marx, o Groucho

Ego: o espelho tem duas faces!


Voltando ao post sobre consumismo e ego, um espelho tem duas faces (lembrando o narigão da Barbra Streisand: não se sabe se ele é, ainda, o original; dado o sucesso do dito, ela talvez até o tenha aumentado!), a socialista e a capitalista, pequena colher de chá para a pobreza do clichê, visto que não são diametralmente opostos, como manda o cacoete das hostes de esquerda. Mas, vá lá...
O ego é uma instância psíquica com funções específicas e insubstituíveis, ligadas à consciência ordinária. Acontece que ele pode ser aumentado (Jung chama o fenômeno de inflação psíquica) ou diminuído - sonho de dez entre dez gurus orientalistas. Em bom vernáculo: o ego tem de ser CALIBRADO como um pneu de bicicleta: vazio, a máquina não anda; cheio demais, pode estourar, deixando o condutor na mão, ou melhor, a pé...
É aí que entra o truque da propaganda em geral: numa sociedade estabelecida sobre o livre comércio entre as pessoas, pode-se utilizar o tal fenômeno de inflação psíquica para aumentar o consumo deste ou daquele produto.Todavia, por mais que se faça propaganda de algo, se esse algo não presta MESMO, não adianta investir nele, criando, por exemplo, falsas demandas. Por isso, toda propaganda tem de ser ancorada num dado de realidade, ainda que insignificante - afinal, há gosto para quase tudo. Por outro lado, numa sociedade em que há controle estatal dos processos de consumo, um grupo de belelecas decide, ao seu bel-prazer, o que os outros podem consumir ou não. Nada os distingue do mais comum dos mortais, nada os habilita a esse exercício de onipotência fajuta, mas a "massa" os elege para administrar seus gostos, necessidades, sonhos, preferências, num ato de espantoso harakiri existencial.
A alavanca dessa fatídica delegação de poderes é a exploração das arquetípicas fraquezas humanas, exatamente por intermédio do supradito mecanismo de inflação do ego que, numa sociedade livre, leva as pessoas a consumir o que é mostrado pela propaganda. Na esfera social rotulada de "capitalista", você é bacana porque desfila dentro de um carrão, fuma o cigarro mais caro, usa roupa de griffe - bem AbFaB !... - o ego infla porque causa inveja; na outra esfera social, a "socialista", você delira de satisfação porque alguém faliu, foi baleado dentro de um Porsche, voou de uma torre em chamas, ganhou o lugar num emprego que deveria ser de uma pessoa bem mais apta - o ego infla porque eliminou a causa da inveja. Embora seja uma questão de foco, a diferença é a mesma entre estar segurando uma arma de fogo ou estar sob a sua mira. Poder ou impotência? Viver é perigoso, mas ainda é melhor ter-se a opção de atirar ou não. Na dúvida, não seja o alvo!

Imagem: Patsy, conferindo a plástica!

Marx, o Groucho

Clipping - comentando comentários


Algumas observações sobre os comentários de nossos 400 leitores diários:

"...e esse discurso de não ser nem de direita nem de esquerda é típico de direitistas reacionários que querem enganar os outros e não se reconhecem como de direita. Pelo menos é isso que todo esquerdista diz..."
Pois é, eles dizem qualquer coisa que simplifique os dados de realidade, de forma grosseira. Existe a simplificação inteligente, mas a deles é aquela que elimina partes essenciais do todo, privilegiando as que interessam, em geral, as acidentais. Isso é nítido em discussões com esquerdopatas. Por exemplo: certa vez amigos meus desandaram a conversar sobre místicos cristãos - que raridade!... - desembarcando em Teresa D'Ávila. Pois bem, o máximo que veio à baila foi uma interpretação "erótica" da belíssima estátua de Bernini - ilustração de uma postagem abaixo - é a tal velha história, do tempo da vovó-guru: cada um dá o que tem, não é mesmo? No caso em pauta, o modelito é freudiano, mal lido e pior absorvido, que transforma qualquer coisa num caso de monótono imbróglio sexual.
Da mesma forma, viciados em seus pequenos paradigmas espistemológicos, esquerdopatas só enxergam o mundo a partir daquele esqueminha caduco, intragável, com suas eternas lutas de classe pré-fabricadas, relativismos cínicos, éticas mambembes e outras pragas advindas de um paupérrimo e esclerosado recorte da realidade, sobre o qual o barbudo alemão, pai da raquítica criança filosófica, teve dúvidas atrozes em seus raros momentos de clarividência, ao fim de uma vida repleta de furúnculos morais. Sabe o que é mais? A alma brasileira está em estado de depressão... Haja Stolly, sweetie...

Imagem: metáfora da muderna alma brasileira, carcomida pela esquerdopatia epidêmica, he,he,he...

Marx, o Groucho

Da série "metáforas desaforadas" !



Adivinhem como está o Brasil na Era Keiser! Essa imagem, inspirada em Bosch - de novo, o genial colaborador permanente do blog... - diz ou não diz tudo? Um doce para quem decodificar a metáfora... Vamos, animem-se, vocês chegam lá!


Marx, o Groucho - em tarde de sadismo total...

Thursday, November 30, 2006

Privacidade no Orkut...



Esta eu tirei do "No Mínimo"

Privacidade no Orkut já era

A notícia é da Folha de S. Paulo mas está em tudo quanto é canto da web:

Em meio a ações do Ministério Público Federal, que o acusa de sonegar informações sobre criminosos da internet, o Google do Brasil criou uma ferramenta que permite à Polícia Federal vasculhar dados do Orkut e até retirar do ar páginas com “possíveis práticas de crimes” sem a necessidade de determinação judicial.

Segundo a PF e o Google, os policiais do setor de crimes cibernéticos podem navegar pelas comunidades virtuais como “usuários especiais” e ter acesso a dados dos internautas, como o IP (código que identifica o computador, o que pode levar ao responsável por um texto ou por comunidade suspeita).

Pois sem comunicar a seus usuários, o Google deu à Polícia Federal total acesso a tanta informação quanto pode ceder.

Quer dizer: a polícia entra quando quer no Orkut e fuça o que quer de seus usuários sem a necessidade de ordem judicial ou chance de defesa. Cortesia do Google.

Em seguida, segundo a Polícia Federal, o sigilo telemático do usuário é armazenado pela empresa até que a Justiça autorize o uso. A ferramenta foi disponibilizada há três semanas, mas vinha sendo mantida em sigilo. Nem a PF nem a empresa informaram quantas páginas foram ‘embandeiradas’.

Segundo a PF, a ferramenta também é ’salutar’ ao Google porque pode evitar eventuais problemas à empresa ao hospedar comunidades criminosas.
O Google diz que divulgará oficialmente na próxima semana a ferramenta, que deve ser expandida mundialmente.

Há um problema, aí, uma linha fina. Se há crime, a polícia, mediante autorização judicial, pode conseguir acesso a dados particulares de indivíduos capturados de empresas privadas. De uma companhia telefônica, por exemplo. Ou mesmo do Google. É do jogo, coisa necessária para o funcionamento da Justiça.

A Justiça não pode violar, previamente, a privacidade de todos os usuários de um serviço. A Justiça não fez isso. A Polícia Federal não tem poder de ordenar a uma empresa que ceda os dados de todos os seus usuários. Mas a PF não fez isso. O que aconteceu é que a PF recebeu o poder de navegação oferecido de bandeja pelo Google.

Poderia, ao menos, ter oferecido aos seus pobres usuários a chance de pular fora antes. Afinal, às vezes participar de uma comunidade por brincadeira pode custar uma dor de cabeça policial.

Oriane

Passagem atribuída a vários autores finalmente revelada!


Martin Niemöller


Eu sempre quis saber de quem era essa passagem. Reinaldo Azevedo explicou:

“Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar.”

Seu autor é o teólogo protestante alemão Martin Niemöller (1892-1984). Ele teve uma trajetória curiosa. Chegou a flertar com o nazismo nos primeiros tempos. Quando, vamos dizer, já havia ficado claro quem era Hitler e o que queria, ainda ambicionou incutir-lhe um tanto de sensatez. Até que percebeu do que se tratava e migrou para a oposição aberta. Foi processado em 1938 e enviado para o campo de concentração de Dachau, onde permanece até o fim da guerra. Correto estava o Niemöller do texto acima, não o que sonhou com as mãos estendidas para o ditador facinoroso.

Oriane - péssima em formatação...

Oh, darling, também não é assim! Prometo revisar tudo! He,he,he!
Marx, o Groucho revisor...

Wednesday, November 29, 2006

O Sonho de Lula é ser a rainha da Inglaterra!



Esta eu tirei do Blog do Diego Casagrande:

DEIXA O HOMEM TRABALHAR?
29.11, 15h08
por Marco Antonio Villa, na Folha

No primeiro ano da Guerra do Peloponeso, Péricles fez um célebre discurso. Recordou aos críticos que "não é o debate que é empecilho à ação, e sim o fato de não estar esclarecido pelo debate antes de chegar a hora da ação".

O conservadorismo tupiniquim incorporou essa fala antidemocrática - no sentido ateniense. O discurso foi migrando até chegar ao PT. A candidatura Lula assumiu e propalou com ardor o slogan: "Deixa o homem trabalhar". Era uma evidente resposta às críticas da oposição. O discurso conservador -ao estilo espartano, para voltar à Grécia- enfatizava o trabalho árduo do presidente.

Procurei a fonte disponível para checar se o slogan tinha alguma base: a agenda presidencial (pelo site www.presidencia.gov.br). Já tinha realizado essa pesquisa no ano passado e esperava, sinceramente, que o ritmo de trabalho do presidente tivesse entrado nos eixos. Ledo engano. A agenda é confusa, não há lógica no cotidiano presidencial. É difícil até entender o critério dos deslocamentos.

Muitas vezes, em prazo curto, foram realizadas viagens para o mesmo Estado, quando poderia haver só um deslocamento, diminuindo custos e obtendo maior eficiência. Outras vezes, a viagem é para cumprir um desejo do presidente, como se o país estivesse voando -algo especialmente difícil atualmente- em céu de brigadeiro. Um exemplo foi o deslocamento da comitiva presidencial para São Paulo simplesmente para inaugurar o Memorial do Corinthians.

Observando os compromissos de 2006, ficou evidente que o presidente começou a abolir as segundas e as sextas-feiras da agenda ou a ter só um despacho nesses dias. A jornada de trabalho também diminuiu. Em alguns dias, a agenda iniciou às 10h, foi interrompida para o almoço e, às 16h, o expediente foi encerrado.

Lula quase acabou com aquelas reuniões de todo o ministério -foram sete em 2003, cinco no ano seguinte e, em 2005, quatro. Em 2006, fez só um desses encontros, o que foi saudável, mas não considerou relevante a reunião reduzida de ministros quando houvesse um assunto de interface entre os ministérios, revelando descaso por temas administrativos.

Lula insistiu na importância da manutenção de várias secretarias com status de ministério, dada a relevância dos "movimentos sociais". Mas a agenda o desmente. O MST, além de outros "movimentos sociais", não foi recebido nenhuma vez, e o ministro do Desenvolvimento Agrário, apenas uma. E a ministra Matilde Ribeiro (Políticas de Promoção da Igualdade Racial) teve a atenção presidencial em só um encontro de meia hora no ano todo. Pior sorte teve a Comissão de Ética Pública, vinculada diretamente à Presidência: não foi recebida sequer uma vez. É compreensível...

Já Ricardo Berzoini foi um homem de sorte. Como presidente do PT, esteve no gabinete cinco vezes em apenas seis meses. Curiosamente, quando foi ministro da Previdência Social, se encontrou somente uma vez com o presidente. Donde se deduz que, para Lula, o PT é mais importante que os milhões de aposentados.

Entre os congressistas, o recordista foi Renan Calheiros: seis entrevistas. Que inveja a ministra Nilcéa Freire (Políticas para as Mulheres) deve ter do senador: em dois anos e meio, nunca foi recebida pelo presidente.

Quando teve início a campanha, a agenda, que já era caótica, ficou ainda mais sem sentido. E vazia. Em agosto, em diversos dias, o expediente terminou às 12h30 (como no dia 2); em outros começou, às 11h, 12h ou 12h30 (como nos dias 7, 10, 14, 18 e 28). Em setembro, a situação se agravou. Poucos despachos. E, quando eram realizados, não passaram de atividades eleitorais, como em 21/9, quando recebeu "personalidades do mundo do livro" e assinou o decreto do cão-guia.

Se a situação já era preocupante, entre o primeiro e o segundo turno ficou ainda pior. Do dia 6 até o dia 29/ 10, estão registrados somente 16 compromissos. Nesses 24 dias, Lula teve uma média de 0,6 compromisso/dia.

A eficácia do trabalho é altamente questionável. A 6/10, teve um encontro de meia hora com o presidente eleito do México (única atividade daquele dia); no dia 24, o solitário registro foi a condecoração de Felipe Massa realizada no aeroporto de Congonhas. Ou seja, durante o mês de outubro, o governo ficou acéfalo. A análise da agenda revela que o governo não tem rumo, que as atividades presidenciais são mal planejadas e que o presidente mais parece chefe de estado que chefe de governo. Em um país que está estagnado há um quarto de século, é muito grave.


Oriane

Um pouco de história da arte




Minha amiga injustiçada, aquela perseguida pela chefe feia, é professora de História da Arte. Enquanto os alunos reclamam que a tal chefe-feia-comunista só passa vídeos de meninos de rua e temáticas sociais (gente, isso é no curso de História da Arte!!!)a minha linda amiga é especializada em Renascimento. Ela me deu uma aula bárbara sobre a cronologia da representação de Cristo.
O grupo escultórico que vocês estão vendo é o Laocoonte. Plínio, o velho, escreveu que esta era a mais bela obra de todos os tempos. Michelangelo leu. Quando o Laocoonte foi exumado, Michelangelo acorreu às escavações e reconheceu a descrição de Plínio. Laocoonte era um profeta e percebeu que havia algum problema com o cavalo dado pelos gregos à Tróia. Palas Athena enviou estas serpentes que o arrastaram para o mar. Entretanto, graças ao aviso de Laocoonte, Enéas consegue fugir e de sua fuga nasce Roma. Esse é o mito fundador de Roma e pode ser lido em Virgílio, na Eneida.
Laocoonte representa o auto-sacrifício pelo bem alheio. Sua expressão é de resignação e coragem e será a base para todas as representações de Cristo a partir do esboço que Michelangelo faz de cristo com inspiração em Laocoonte. esta é a segunda imagem que mostramos. Até então o Cristo era mostrado triunfante ou morto, mas jamais sofrendo.
As representações que agora conhecemos de Cristo são todas oriundas desse grupo escultórico fascinante. A partir da exumação da obra e do desenho de Michelangelo, teremos um Cristo vivo e sofredor.
O Cristo de Michelangelo fala de uma das passagens mais enigmáticas das escrituras: Senhor, Senhor, por que me abandonaste?

Precisamos de beleza para combater tanta feiúra...

Oriane

Tuesday, November 28, 2006

Vive la différence!


Essencialmente somos todos iguais, pertencemos à espécie humana, temos uma psique em comum. Esse é o solo, a raiz. A igualdade é jurídica, assim deveria ser. Quanto ao resto, vive la différence! Não estava nos planos divinos pasteurizar a Criação, pelo contrário, é nas diferenças, riquíssimas, extraordinárias, que se expressa esse Ser ao qual se dá, na esfera religiosa, o nome de Deus. É impressionante como essa constatação se opõe diametralmente a uma outra, aquela sobre a qual nos referimos aqui, volta e meia: enquanto a Divindade - de todos os credos, diga-se de passagem - capricha na multiplicidade dos acidentes, preservando a integridade da essência - Aris! Ô, meu velho, você já dizia isso, AC! - os adeptos de Sauron - em todas as suas monótonas, superneuróticas acepções, proclamam aos quatro ventos o INVERSO: eliminam a essência e convertem a individualidade ao caráter de legião, submetendo uma sinfonia inteira a um samba de uma nota só, sob a forma do esfarrapadíssimo "nivelamento" por baixo, à exceção da área administrativa, em que, como já denunciava Orwell, alguns são muito mais iguais do que outros. Na verdade, essa balela toda não passa de uma manobra retórica de proporções gigantescas, pincelada ao longo dos séculos por diversos dementes da mesma estatura espiritual - anã -, com o único intento de controlar de modo amplo, rápido e eficaz as almas que poderiam ser obstáculos à sua chegada ao poder total. Ou seja, historicamente sempre houve uma espécie de mensalão psicológico comprando as consciências confusas. Obviamente a forma menos sutil de dominação é a compra pura e simples, via tutucash, numa cueca ao portador. Entretanto, a moeda que mexe com o ego das pessoas, inflacionando-o, é terrivelmente mais eficaz.
O detalhe sórdido: às vezes é preciso criar artificialmente a "diferença" - ou acentuá-la - para que a berraria pelas igualdades seja realmente percebida, pelos futuros escravos, como um desejo irresistível de rebaixar o nível alheio, posto que ascender requer aplicação, esforço, essas coisas absurdamente irrelevantes. Ora, em Bulshitland, o país da metáfora futebolística oficial,todo mundo fica indignado quando um time ganha no...tapetão! Entenderam ou precisa explicar mais? Pura hipocrisia.
Tá bem, tá bem, verbetinho para posterior auto-ajuda: cota racial é ganhar no tapetão, ganhar vaga de emprego, por ser "pobre", é ganhar no tapetão e por aí vai.
Querem ver o mesmo fenômeno pela ótica da Estética? Dêem uma olhada na arquitetura soviética, implantada, em especial, nos prédios da burocracia vermelha: é uma ode à feiúra, à mesmice, à depressão, à igualdade acidental. Socorro, chamem Bernini!
Todo a conversa enjoativa sobre desigualdade social, mola-mestra da manipulação das massas, oculta justamente a manobra psicológica com a qual se faz uma caricatura grosseira da realidade, no intuito de fortalecer o ego das pessoas, focando-o nas tais onipresentes injustiças da sociedade - essa abstração horrenda e opressora. Trata-se de uma estratégia em duas etapas:
1- Olha, você tem um nariz feio, viu? Todo mundo diz isso! Ok, percebeu a bicanca?
2 - Pois bem, se percebeu, Pitanguy, já!
Não é genial? A propaganda de Saruman, testa-de-ferro de Sauron, é idêntica à do mundo capitalista, aquela, basiquinha: "criar" ego gera consumo. Na esquerdopatia, "criar" ego gera genocídio. A diferença - de novo! - é que, no primeiro caso, você tem escolha; no segundo, não. Dessa vez, chamem os hobbits!

Imagem : Êxtase de Santa Teresa D'Ávila. Bernini, em Roma.

Marx, o Groucho

A burrocracia acadêmica faz sua vítima!


Vocês devem estar lembrados daquele meu post sobre os burocratas da academia. No final eu falava daquela minha amiga linda perseguida pela chefe de departamento feia. Pois bem, ela foi chantageada pela chefe. Isso mesmo, CHANTAGEADA! Agora sabemos porque essas pessoas querem tanto a chefia. É para se locupletar, para usar em benefício próprio. Elas disputavam uma bolsa e a "chefe" disse que se ela não desistisse faria um parecer negativo sobre ela ( estava em estágio probatório). Foi assim, no meio de uma reunião. Todos viram e vai ficar por isso mesmo. Minha doce amiga, que nunca fez mal a uma mosca me ligou arrasada. Foi terrivelmente prejudicada.
Por que os piores sempre se dão bem? Porque são capazes dessas vilanias que, para pessoas educadas, são impensáveis.
Os argumentos então: fulana não precisa, é rica...
Mérito, esforço, tudo isso vai pelo ralo.
Minha amiga era melhor, a chefe sabia que ia "dançar". Usou sua triste arma.
Não preciso dizer que ela é da esquerda. Daquelas convictas.
Para eles, este tipo de coisa é comum. Os fins justificam os meios, sempre. Ela acha que tem mais direito porque é mais pobre e vale tudo para suprir essa diferença.
Outro argumento "excelente" usado por ela: diz que minha amiga não pode opinar porque não tem produção acadêmica. Por produção leia-se pontuação da Capes. Minha amiga publicou uns 5 artigos. Todos de vinte páginas em revistas da Europa, revistas de prestígio. A tal chefe-bruxa tem milhares, pois ela edita uma revista e cada entrevista que ela faz ela conta como artigo. Cada uma dessas entrevistas valem tanto quanto artigos que são quase teses e que demandam meses de estudo.
O destino de nossa academia está nas mãos de gente assim. Vide Emir Sader...
Que horror!...

Oriane

Monday, November 27, 2006

Put the blame on mame, cantava Gilda...




René Girard, pouco badalado pelos intelectuais tupinicóides - desconhecem-no ou fingem que ele não existe, famosa técnica de assassinato simbólico - é o autor de um excelente estudo sobre a figura arquetípica do bode expiatório. Não, pets (não é bonitinho desse jeito?), não se trata de cruzamento de cabra com telescópio! É uma formidável História - assim, com maiúscula - sobre o problema da culpa humana. Em quem jogá-la?
O maior bode da humanidade foi o Cristo, exatamente o ser sem-culpa. Todos os outros têm telhado de vidro, aqui e ali. O processo é inconsciente, é óbvio, posto que a consciência elimina todas as sombras e tropeços. Assim, não há ninguém que não projete no outro suas próprias culpas. Qual é a graça disso? Simples, o outro apanha no lugar do culpado, que se sente aliviado, por tabela, mas... incólume! Ideologias enraizadas no totalitarismo facilitam in extremis a irrupção desses ataques de projeção coletiva, quase sempre teleguiados por um líder tipicamente rodrigueano, ou seja, um canalha. Os nazistas culpavam judeus e cia, os comunistas culpavam a tudo e a todos (leiam o Arquipélago Gulag) sob o rótulo genérico de anti-revolucionários.
Hoje em dia os esquerdopatas culpam, igualmente, qualquer um que não reze pela sua cartilha, embora o Grande Satã americano lidere, com folga, sua lista negra. A sanha é tanta que professores dessa, digamos, - tá na moda! - raça, brindaram ferozmente à queda das torres gêmeas no EUA, em um departamento de universidade pública. Não há limite para essa gente quando se trata de exorcizar suas taras, usando a pele alheia: o conde Drácula perde longe!
Sugestão ao leitor: da próxima vez que sentir culpa, coma chocolate, pequena, ou passe na tabacaria e compre um charuto, dos bons - mas sem nenhuma maracutaia lulo-castrista, hein?! Ai,ai,ai!

Imagem: Rita Hayworth cantando Put the blame on mame, em Gilda, uma mulher como nunca houve uma outra antes, frase anterior a Lula.

Marx, o Groucho

Mais Constantino



Já que estamos falando em Constantino, este é o "Sonho". Pintado por Piero Della Francesca. Trata-se, na verdade, de uma anunciação. Constantino sonha com um anjo que lhe diz que ele só ganhará a guerra se os seus soldados combaterem com uma cruz pintada.
Mágico...

Oriane

Lindíssimo! A cruz, no sonho, vinha sob a legenda In hoc signo vinces - "sob este signo vencerás"...

Marx, o Groucho

Sunday, November 26, 2006

De Bosch - deboche? Não, Veríssimo, o malicioso!



Minha mãe, se viva, diria: Este é dos meus: pão, pão, queijo, queijo! Refiro-me ao Rodrigo Constantino (boa mistura de Rodrigo de Bivar, o El Cid, e Constantino, o imperador romano que se converteu ao Cristianismo), que analisa a malícia - burra - de Veríssimo, a respeito da morte de Milton Friedman, falando de céu e inferno:

" (...) Ora, vamos chamar boi de boi, não de jacaré. Os que repetem que o comunismo nunca existiu ignoram que ele jamais existirá, pois não passa de uma utopia idiota, impossível na prática – ainda bem, já que homens não são formigas. Mas é a tentativa de chegar lá, os meios usados para tal fim, que levam inexoravelmente ao terror, escravidão, miséria e genocídio. Por isso, inclusive, que socialistas detestam debater meios, tentando monopolizar os nobres fins. Tentar associar o comunismo soviético a algo perto de capitalismo é, portanto, falta de caráter ou de inteligência."

O trecho que põe o dedo na manipulação discursiva, sintoma da Língua de Pau, é este: " (...) Crentes fanáticos são justamente os socialistas, que fogem de um debate focado apenas em argumentos lógicos, apelando constantemente para a retórica, inúmeras falácias conhecidas, sensacionalismo barato e emoções instintivas."

Viram só? A questão inexorável, o campo da verdadeira batalha, está e sempre esteve lá, na "inculta e bela", sempiterna esfinge lingüística: é preciso, pois, estudá-la, apascentá-la, decifrá-la. Debater é preciso, caso contrário, kaput!

Texto do Constantino, na íntegra, aqui.
Imagem: mais Bosch, 1510 - Paradise and Hell, detalhe do quadro Garden of Earthly Delights .
Para os interessados em Bosch, visitar aqui.

Marx , o Groucho

Belelecas!


Aquela história de "não-discurso", no post anterior, fundiu a cuca, já meio beleleca - extraordinária invenção da minha avó, cujo significado é ruim dos neurônios -, de alguns petistas de plantão. Um deles veio argumentar comigo sobre o tênue, discutível e (HIRC!) "relativo" conceito de realidade e, em conseqüência, de discurso. Para a turma da Chauí (vide o famoso livro adotado em 12 entre 10 "dificuldades" brasileiras, Convite à Filosofia.), tudo é discurso, o ser é um pântano verbal, no qual alguns infelizes afundam, necessariamente, enquanto outros, os vivaldinos, nadam do jeito que lhes dá na telha. Não há norte, bússola, normas, paradigmas estáveis para essa cambada de psicopatas. Um dia, bocejando, um deles ouviu falar que "tudo flui" (Panta rei), adorou a idéia e esquizofrenizou de vez: Oba, se tudo é e não é, tudo é...relativo! Entenderam? Leitura filosófica fajuta dá nisto, um desastre que descamba, fatalmente, para a famosa moral petralha, também conhecida, desde tempos imemoriais, como Deus para mim, Diabo para os outros; na versão moderna, o bônus do Estado para mim, o ônus dos impostos para os outros. A propósito, há um post do Reinaldo, hoje, falando sobre a proposta de Lula para a reforma do PT em seu segundo mandato: que sejam MAIS INTELIGENTES! QUE FAÇAM "MENAS" TRAPALHADAS! Tradução óbvia: não deixem pistas das próximas vezes, suas bestas! Em suma: o problema semântico persiste, por conta do tal relativismo esquerdopata. "Inteligência" é esperteza, "moral" é o que lhes convém, "liberdade" é controle de tudo, "moral" é a ética politicamente correta, "Deus" é o Partido etc. A principal característica dessa gente é um surdo, malévolo, empedernido, revoltado, invejoso, sombrio orgulho. Ego. Aquele, o da queda arquetípica. Repito: não querem servir. Resta-lhes ser escravos. Viva Sauron!

Imagem: genial quadro de Hieronimus Bosch, 1490, Holland - Removing the Stone of Madness.

Marx, o Groucho