Saturday, April 07, 2007

Cuidado com os psicopatas da internet!!!

Por estes dias encontrei, por culpa minha, uma psicopata na internet. Nenhuma novidade, esse "lugar" está cheio de malucos. Pessoas sem rosto que acham que vale tudo, já que não estarão cara a cara. Já não falo apenas da boa educação, quanto a isso já perdi a esperança há muito tempo, o brasileiro não tem solução. Ponto final. Berço ou se tem ou não (trata-se, afinal, de um berço metafísico... Puro mistério.) Infelizmente essa é a lógica da coisa. O fato é que muitos até têm dinheiro, mas não têm berço. Daí que freqüentam a internet, bons restaurantes etc., mas não sabem se comportar, interagir, dialogar. O que mais me "fascina" é a agressividade. Uma certa idéia de que se o outro dá uma estilingada a reação deve ser com escopeta, para deixar bem claro, assim, quem é o mais forte. Pessoas sarcásticas que, em feudos empobrecidos, procuram agarrar-se ao pouco que lhes resta, diminuindo o outro para se fortalecer.
Triste sina...
Psicopatas são 10% da população e na internet estamos irremediavelmente expostos a eles. Por isso não dou jamais o meu nome, o risco que se corre é imenso, melhor apostar no anonimato. Um meio como a internet presta-se a todo o tipo de mal-entendido e também a crimes, perseguições e belezinhas no gênero. É fácil mentir, caluniar, injuriar, pois o contato pode nunca ser feito.
Conheci algumas pessoas pela internet, algumas maravilhosas, mas a maioria não "batia bem". . Mas toda vez que me deparo com alguém muito intransigente - como petralhas -, muito agressivo ou sem consideração, fico pensando se a decadência de nossa civilização já não seria irremediável. Compaixão, delicadeza e polidez são palavras esquecidas relegadas a um passado em que o outro ainda significava algo.
Mas o que mais me constrange são aquelas pessoas que já vêm logo brandindo títulos: sou isso, sou aquilo etc. E a gente acaba ficando assustado: uau, se fulano é professor é fácil entender a situação da educação no país! Se não consegue se comunicar, como pode ensinar? Mas - é pule de dez! - este tipo de pessoa, que fica brandindo currículos, costuma ser o mais estúpido, burro mesmo. Estilo Sader, sabe como é? No Brasil de hoje, essa é uma estatística confiável...
Em geral, um defeito é comum a estes psiconautas: projetam nos outros tudo o que eles são. Aí, você já sabe, não adianta conversar, tudo o que essa gente sabe fazer é não compreender. A não compreensão é seu único título, sua única missão sobre a Terra. Negar é preciso!
Cuidado com os psicopatas da WEB. Sempre estão disfarçados de cordeiro, mas estão lá, prontos para atacar os distraídos.
Não mexa com eles, não cometa erros, nunca se sabe quando podem atacar.

Imagem: Diane Arbus - Menino com granada

Oriane - em pânico.

Thursday, April 05, 2007

Noblesse oblige


Noblesse oblige é uma arte esquecida, arte para poucos. Aquele ato que é causado por um dever moral, nobre, uma gentileza interna que determina a razão. Arte dos que têm berço e cultura, coisas das quais, hoje em dia, somos instados a ter vergonha.Não tenho vergonha de meu berço, nem de minha cultura. Os adolescentes de hoje lêem Gossip Girls, na minha época líamos Eça e Dostoiévski. Noblesse oblige é deixar um idoso sentar no seu lugar espontaneamente, sem precisar de um aviso aos berros relembrando. Nunca consegui ficar sentada no metrô enquanto há um idoso em pé.
Nunca consegui ser grosseira com quem me ofendeu e pediu desculpas. A compreensão também é noblesse oblige. Compreensão, generosidade, etiqueta, artes perdidas na terra da "farinha pouca meu angu primeiro". Pessoas que vociferam por seus direitos tendem a esquecer o direito alheio. Na academia então, tenho visto vilanias inacreditáveis! Alguém é convidado para escrever um artigo ( acadêmicos em início de carreira se estapeiam por artigos) que não é sua especialidade, tem um amigo naquela especialidade e esconde deste amigo. Escreve um artigo porcaria só para dizer que escreveu. Alguns colegas escrevem um artigo e mudam o título, oferecendo-o a vários veículos diferentes. Este é o mundo dos "espertos", um mundo onde absolutamente tudo é nivelado por baixo.
Estes vociferantes de plantão costumam achar que educação é coisa da Zelite, ou mesmo que é uma arte que deve ser abolida. Faz sentido, a educação, a noblesse oblige, não traz vantagens imediatas para ninguém, é uma satisfação interna de quem procura estar bem consigo e com os outros. No mundo do egoísmo, é abolido o senso de pensar-se no outro. A afeição, tomar a face do outro, perde o sentido na razão em que o eu deve prevalecer na qualidade de ente competitivo.
Como já disse, tenho orgulho do meu berço, da minha história, da nobreza. Hoje em dia ter orgulho disso é considerado politicamente incorreto. Pois é, sempre fui politicamente incorreta e também me orgulho disso.
Abaixo a grosseria e viva o bom, o bem e o belo!Se preciso, ainda morrerei pela minha nobreza, algo pelo qual ainda vale a pena morrer.

Oriane - Duquesa de Guermantes

Wednesday, April 04, 2007

Executiva nacional do PP - Parecem os irmãos Metralha!



Executiva Nacional do PP:
Paulo Maluf
José janene
Pedro Correa
Pedro Henry
Severino Cavalcanti

Vem cá, por que o Ministério Público ainda não enquadrou o PP como Formação de Quadrilha?

Na executiva de um partido que é governista temos: dois cassados, dois mensaleiros, um que foi preso por roubo...
Acho que eu não quero saber quem são os outros integrantes do partido...
Vade Retro Satanás!!!!!

Oriane

Sunday, April 01, 2007

Bibliografia necessária: "A manilha e o libambo"


Para aclarar as mentes confusas ou, apenas, dar de comer a quem tem fome de bibliografia de boa qualidade, aí vai uma dica indispensável: A manilha e o libambo, de Alberto da Costa e Silva. É um calhamaço e tanto, mas deve ser levado a sério porque conta, tim-tim por tim-tim, a história dos negros envolvidos pela escravidão. Mapas, datas, informações surpreendentes, quilos de coisas interessantíssimas a respeito do tráfico de escravos através dos séculos. Recomendamos fortemente sua leitura para a "ministra" da "desintegração" - ótima idéia da Oriane!
Talvez, se ela tiver a ousadia de passar pelo sumário e chegar ao final, ela se desintegre...
Oh, sweetie, quanto veneno!

Marx, o Groucho

Os imaturos "lingüísticos" e as moscas ...



Concordando em gênero e número com Oriane - não existe concordância de grau... - , deixo cá, uma vez mais, uma análise sobre as agruras gramaticais de Banânia.
A norma culta, ao contrário do que muita gente julga, não é o ápice, o pico de uma pirâmide de registros lingüísticos a ser conquistados. Embora se possa dizer que, pelo caráter temporal dos passos de uma aprendizagem, ela seja uma tardia aquisição do indivíduo, trata-se mais uma descida, uma escavação em busca das raízes, das fundações do edifício verbal do que a sobreposição de ornamentos num telhado.
Apreender (assim mesmo, com dois "e"), estudar a norma culta permite o domínio dos operadores lógicos do intelecto em sua potência máxima, assim como, por exemplo, alguém sabe que praticar o balé clássico é base indispensável para a aquisição de outros estilos. A idéia é bastante pertinente, uma vez que, contrariando certos esquemas “mudernos”, é do mais completo, do melhor e mais essencial que se estrutura o conhecimento. Daí se justifica, por exemplo, o conceito de “teoria” (do grego Theos, Deus), o abstrato arcabouço de coordenadas que facilita a abordagem empírica dos fatos: não é preciso reinventar a roda toda vez que se vai construir um carro.

O que as pessoas não entendem é que a frase “nada se cria, tudo se copia” é a máxima das máximas: o que percebemos no objeto está nele desde sempre e a Razão – com maiúscula... - é o meio que nos permite “perceber” a gestalt implícita nas coisas. Essa é a causa da erva-daninha da atualidade, o “relativismo” ou “escolha você mesmo o sabor”, ou, ainda, meu “ego constrói o mundo à minha sua imagem e semelhança”, péssima paródia, movida a hybris, das prerrogativas divinas. Talvez essa distorção psíquica explique o “furor democrático pela votação”, o princípio do consenso, a estatística que vai contabilizar, como se fosse um cérebro autônomo, todas as excrescências subjetivas da turba-multa, tentando extrair, da quantidade, a qualidade do “denominador comum”, a “verdade relativa” de um umbigo tresloucado - diretrizes calcadas em valores quantitativos não podem gerar conclusões qualitativas. É um método, muito cômodo, de se arrancar nada de coisa alguma: pela lógica, como poucas pessoas se dedicam ao exercício dos neurônios, o resultado da votação será sempre o triunfo da mediocridade. A soma de nulidades individuais será sempre a expressão coletiva da ignorância elevada à categoria de “insight”: a million of flies can’t do the service of a wise man.

A propósito dessa entronização acachapante da quantidade sobre a qualidade, há um trecho brilhante sobre o assunto, numa citação de Ryan McMaken, editor do Western Mercury, tirada do site de Lew Rockwell:

At times like these I think back to my high school math teacher who when encountering a class unified behind an incorrect answer would declare, "manure must taste great 'cause a million flies can't be wrong."

Em suma: a norma culta é aquilo que se conscientiza a partir da observação do material lingüístico disponível. E, acrescente-se ainda, é “culta” em oposição à aquisição “natural”, ou seja, exige-se de quem aprende um esforço, uma atividade, uma disciplina para obter esse conhecimento, diferentemente de uma criança de cinco anos que fala pelos cotovelos, mas não tem a mínima noção do que está fazendo: aprendeu, literalmente, de ouvido... E aí, vota-se no Kaiser, espelho meu... Não será esta uma nação de imaturos???.

Imagem: Linus, dos Peanuts, e duas moscas brasileiras na fila para votar...
Marx, o Groucho

Saturday, March 31, 2007

Um pedaço do post anterior, que ficou enorme.

Imagem: é de uma série hilária do Kibe Loco chamada placas do Braziu...é maravilhosa!!!

Ao se adotar uma política de cotas, acabamos por vitimizar um segmento social e, de uma certa forma, estamos também diminuindo este segmento. Com o sistema de cotas estamos dizendo que eles estão numa situação inferior.

Por que, afinal, este governo faz tanto esforço para acirrar a briga entre pretos e brancos, pobres e classe média (reparem só, Lula e seus asseclas falam mal da classe média e não dos ricos... a Zelite é a classe média)? Desde que o governo Lula assumiu tenho notado um aumento na violência com que os crimes são cometidos. Já não são assaltos, são vinganças. Andamos nas ruas com medo, sabemos que só por termos uma aparência um pouco melhor, ou um carro velho pelo qual passamos anos juntando dinheiro para comprar; enfim, qualquer coisa já é motivo para despertarmos inveja, ódio. Esse ódio é que gera os crimes violentos que estamos vendo. Esse ódio é despertado pela inveja de uma sociedade que nada tem: ela se volta contra todos aqueles que têm, mesmo que seja muito pouco. Nesta sociedade pobre a vida é barata e odeia-se por quase nada.

Ah, me lembrei, esta guerra toda acabou dando emprego para Dona Matilde, a ministra (com minúscula mesmo) da desintegração racial, e toda a sua turma. Aliás, quantas Ongs, autarquias e partidos não faturam alto com essa questão?

Oriane

Pelo sim, pelo não, agora não chamo mais meu gato preto de "negão", só de afro-felino. Vai que alguém ouve e me processa!

Imagem: Mapplethorpe - da série Black and White.

De certa forma é explicável que os negros estejam ainda numa posição desfavorecida socialmente. Foram trazidos para cá numa posição desvantajosa há pouco tempo. Todos sabemos que o dinheiro e as relações da família são fundamentais para o alcance de uma boa situação social. Os negros estão há poucas gerações nas Américas, mas o fato é que estão melhores aqui do que, por exemplo, em Angola, ou Serra Leoa, como disse corajosamente Serjão em seu blog. Com o passar do tempo, naturalmente, vêm alcançando maior ascensão social. Vemos negros como professores, magistrados, artistas, empresários. Muitos desses tiveram antepassados escravos. Isso fala de sua garra e justa luta. No mundo de hoje vence o mais forte e nem sempre as condições iniciais são responsáveis pelo sucesso futuro.

Ao se adotar uma política de cotas, acabamos por vitimizar um segmento social e, de uma certa forma, estamos também diminuindo este segmento. Com o sistema de cotas estamos dizendo que eles estão numa situação inferior.

Nossa sociedade é muito pobre, não temos tantos ricos assim. Nossa classe média vive na corda bamba, e a maioria viu seu padrão de vida cair drasticamente em vinte anos. O fato é que nesta sociedade pobre há muito pouco para muitos. Privilegiar, por pouco que seja, uma parcela é discriminar. E o pior: como há muito pouco a disputa vai ser mais acirrada e este segmento favorecido passará a ser odiado. Não será odiado pela cor da pele, mas por seu privilégio. Numa sociedade tão pobre, qualquer privilégio é invejado. Aqui começará o preconceito e a luta entre pretos e brancos numa sociedade que era notória por sua convivência exemplar.

Por que, afinal, este governo faz tanto esforço para acirrar a briga entre pretos e brancos, pobres e classe média (reparem só, Lula e seus asseclas falam mal da classe média e não dos ricos...a Zelite é a classe média)? Desde que o governo Lula assumiu tenho notado um aumento na violência com que os crimes são cometidos. Já não são assaltos, são vinganças. Andamos nas ruas com medo, sabemos que só por termos uma aparência um pouco melhor, ou um carro velho que passamos anos juntando dinheiro para comprar, enfim, qualquer coisa já é motivo para despertarmos inveja, ódio. Esse ódio é que gera os crimes violentos que estamos vendo. Esse ódio é despertado pela inveja de uma sociedade que nada tem. Volta-se para todos aqueles que têm, mesmo que seja muito pouco. Nessa sociedade pobre a vida é barata e odeia-se por quase nada.

O que acontece depois? Com o passar do tempo, este pequeno privilégio das cotas acaba gerando um separação: eles, os cotistas, e os outros. Na África do Sul há cotas para tudo que se possa imaginar, e devemos levar em consideração que lá isso faz mais sentido do que aqui.
Qualquer pessoa com um pouco mais de cultura sabe que não foram só os brancos que escravizaram os negros, mas, principalmente, negros escravizavam e vendiam negros. O fato é que lá, quando as pessoas entram nos hospitais e vêem um médico negro, acabam não querendo ser tratadas, não porque o médico é negro, mas sim por causa do sistema de cotas. Aquele médico estudou pelo sistema de cotas e conseguiu o emprego pelo sistema de cotas, quem auferiu a competência dele? O quanto ele precisou das cotas para entrar? Esta dúvida sempre permanece. Muitos negros americanos sentem orgulho de afirmar que não usaram o sistema de cotas para estudar.

Os mais fortes escravizam os mais fracos: esta é a triste natureza humana. Em vez de cotas raciais os homens deveriam se preocupar com o problema dos mais fracos. Aqueles que são fracos demais para a luta diária. Que fazemos? Criamos cotas para eles? Jogamos do alto do penhasco? Afinal, porque será que a humanidade sempre só existiu em função de 1%? Ou será que achamos que a desigualdade é só agora? Os vencedores sempre foram minoria e os vencidos maioria. Muitos trabalham para poucos. Claro que numa sociedade tão superlotada como a nossa isso acaba por atingir proporções bíblicas. Daí que, sim, será necessário redistribuir, ou a situação se tornará insustentável, como já vemos acontecer em vários lugares. Todas as brigas, por mais que as mascaremos como religiosas, raciais, são por dinheiro, terra, posses, poder. Tudo gira em torno de o quê vai ficar com quem. Os mais fortes sempre ficarão com mais, mas um mínimo de dignidade para o resto é fundamental para que se possa manter o equilíbrio.

E que não nos enganemos: classe média de terceiro mundo não é dominadora, é dominada! Portanto, tratemos de nos fazer fortes, tratemos de parar de investir na preguiça, tratemos de investir na educação. Não haverá um sistema de cotas para o terceiro mundo, muito menos uma bolsa-sei-lá-o-quê. O poder de transformar está na coragem de uma sociedade e no seu esforço. Sistema de cotas acaba perpetuando a fragilidade de um grupo e lhe colocando na situação de “coitadinho oficial”. Este tipo de atitude é um convite à preguiça, à acomodação. Permitir que se entre na academia por qualquer motivo que não o mérito é desmerecer e diminuir a academia. A academia é lugar para esforço, renúncia, atitude. Numa sociedade naturalmente preguiçosa tende a enfraquecer ainda mais o que já é tão fraco. O cotista não vai se esforçar mais do que já se esforçou para entrar, os outros é que vão se esforçar menos para acompanhá-lo. E sempre o que entrou sem cotas irá discriminar o que entrou com as cotas.

Esta discussão toda mostra o quanto este grupo social está forte, pois consegue bem mais concessões do que, por exemplo, os índios que, esses sim, foram expropriados de suas terras. O silêncio da sociedade quanto ao que verdadeiramente ocorreu na África é uma outra prova de como a propaganda pró-africanos é forte. O que nos leva a perguntar: a quem afinal interessa tudo isso? Outro dia no Edital da Lei Rouanet vi que existe a pergunta: trata-se de atividade que promova a cultura Afro? Ou seja, se for tem uma chance muito maior de ganhar aprovação. Promover a cultura Afro dá dinheiro! E, diga-se de passagem, é bem mais digno e eficiente do que cotas. Ah, me lembrei, esta guerra toda acabou dando emprego para Dona Matilde, a ministra (com minúscula mesmo) da desintegração racial, e toda a sua turma. Aliás, quantas Ongs e autarquias não faturam alto com essa questão?

Estamos criando o racismo no Brasil e esta divisão acabará nos arrastando irremediavelmente para o penhasco.

Oriane

Friday, March 30, 2007


Discurso de nosso genial presidente para os jovens carentes:

"Não se pode punir a juventude diminuindo a maioridade penal. Vocês não tem culpa de ser o que são, vocês são fruto de vários governos que não investiram em educação. Vocês não são o que são porque querem, mas sim porque um dia o estado os abandonou..."
Então tá! Agora todos os jovens excluídos já podem se sentir a vontade para roubar: eles não têm culpa coitados, a culpa é do Estado. Não do Estado de Lula, é claro, a culpa é da tal "herança maldita".

Socorroooooo! Quero sair daqui!!!!!! Será que algum estrangeiro bondoso não quer me adotar?

Oriane

Desabafo de um professora sobre os bolsistas proiniciar...

Este post me foi enviado por uma amiga, professora da UERJ. Vale a pena ler:

Bela Oriane,
sou professora da UERJ. Tive bolsistas "Proiniciar", e vários alunos que entraram pelo sistema de cotas. As bolsas "Proiniciar" são uma obra-prima de demagogia e populismo, um engana-trouxas como poucas vezes se viu em instituições públicas: os alunos mais pobres (em ordem decrescente) ganham, durante seu primeiro ano de estudos, uma bolsa acadêmica. Requisito: devem ser orientados por professores doutores (claro, como estão tão adiantados um professor só com mestrado não serve), e desenvolver uma pesquisa. Foram-me designados 3 bolsistas proiniciar, ano passado. Três moças semi-analfabetas. Eu não tinha a menor idéia do que fazer com elas. Li diversas vezes o edital relativo às bolsas, para saber o que poderia propor; o dito cujo, porém, é um primor de evasão. Basicamente, não explica nada. Quais são as obrigações do bolsista? Desenvolver o quê? Um trabalho acadêmico? Como esperar que um aluno que entrou por cota desenvolva uma trabalho acadêmico logo no primeiro ano? Seria muito mais honesto se a bolsa fosse assumidamente assistencialista, e não se desfarçasse com tintes intelectuais. Resultado: das 3 moças, duas não fizeram absolutamente NADA. A terceira era, a primeira vista, a mais burra de todas, mas ao menos realizou, male male, as cada vez mais banais tarefas que eu lhe passava (fichamentos de textos em português, quase sempre). As outras duas nem sequer apareciam na minha aula; uma desapareceu inteiramente, e a outra apareceu para fazer a prova, na qual tirou zero, naturalmente. Resultado: não assinei o relatório final das duas. Não as inclui no meu lattes. A diretora do instituto veio me procurar, lacrimejante, dizendo que, se não assinasse, elas provavelmente teriam que devolver o dinheiro que receberam. Que devolvam. E, se não devolverem, que sejam processadas pelo Estado. São ladras. Não tenho pena, mas raiva. Tenho um aluno paupérrimo, que mora em Jacarepaguá e trabalha em uma imobiliária, que é brilhante, esforçado, e não tem bolsa de nenhuma espécie. É branco, tem até olhos verdes, como vai ter bolsa?!? Um último comentário: eu sou a única, em meu departamento, a defender o fim das bolsas Proiniciar e o fim do sistema da cotas. Acho até que há colegas que pensam como eu, mas ninguém ousa falar nada. Vivemos numa ditadura, num arremedo de estado policial, em que a liberdade de pensamento e expressão se vê ameaçada constantemente. Depois do episódio Proiniciar, eu cheguei até mesmo a temer que algo me acontecesse. Teria sido uma vítima, aí sim, do racismo e do preconceito.

Terrível, não? Detalhe: esta bolsa é só para os afro-descendentes e vem criando constrangimentos e um mal-estar entre os alunos pobres que não são beneficiados pelo programa...
Oriane

Wednesday, March 28, 2007

Contra Lula e seus demagogos só a gramática salva!


Globo de Hoje, pag. 14: "A cada 15 dias, haverão (sic) reuniões..."
Não vou entrar na seara da ministra, que acha que negros têm o direito de discriminar brancos, mas na mesma matéria descubro que existe uma Secretaria da Defesa dos Direitos da Pessoa Humana(sic).

Acho melhor nós fazermos, com urgência, uma secretaria de defesa da Gramática!!!

Oriane

Tuesday, March 27, 2007


Acho que esta seria a melhor ilustração para o post que coloquei abaixo.

Oriane

Macânica quântica e picaretagem!



Imagens: Ramtha - espírito Lemuriano de 35000 anos.

Recentemente estive discutindo o filme “Quem somos nós” com um grupo de pessoas. Foi engraçado que um dos argumentos que uma das senhoras que estava no grupo usou para me desqualificar era que eu não era suficientemente holística. Achei graça, mas tendo a ficar preocupada com essas coisas. Num mundo onde os parâmetros estão desaparecendo, a pseudociência vêm ganhando um terreno enorme na mídia contemporânea. É um sem fim de curas quânticas, medicina holística, terapia de vidas passadas. Não posso dizer nada sobre as duas últimas, mas posso afirmar que a primeira é uma grande besteira.

Quanto ao filme, é fundamental ler dois excelentes artigos escritos no blog – Dragão na Garagem. Os argumentos são maravilhosos, mas maravilhoso mesmo é descobrir que o filme foi produzido por uma dessas seitas picaretas que tentam arrancar dinheiro das pessoas. Se vocês têm alguma dúvida, é só preencher o formulário de inscrição para o retiro de 4 dias (veja a foto acima) a 600 euros na França. A seita é uma tal de Ramtha Escola de Iluminação, e foi fundada por uma dona de casa que começou a receber este espírito que seria um guerreiro de Atlântida. Mas nem pense em tentar receber o dito cujo: a tal dona tem o copyright sobre esta aparição, você acabaria tendo que pagar uma taxa. No site que eu indico acima, é feita uma análise de cada um dos “cientistas”que falam no filme, e o resultado final é o seguinte:

Um ex-padre que pregava o evangelho do irmão gêmeo de Jesus, um médico que quer curar os gays e acha que os liberais são retardados mentais, outro que exerce uma terapia não reconhecida pela ciência, um físico praticante de levitação, um cara morto há 35.000 anos baixando em uma dona loira e, em má companhia nesta turma, um físico sério enganado pelos discípulos de uma seita maluca. Bem, agora que você já sabe onde está pisando vamos assistir ao filme.

Murray Gell Mann, o físico que deu o nome aos quarks, se perguntava por que a mecânica quântica dava ensejo a tanta mistificação. A questão parece girar em torno do fato de que quase ninguém percebe que a mecânica quântica é uma abstração matemática, uma série de contas que dão certo e só isso. Tentar aplicar isso ao nosso mundo ainda é uma especulação, pois justamente o que a física busca como seu Santo Graal é a interação entre o mundo macro e o micro. A mecânica quântica somente se aplica a partículas e a teoria que e rege é incompatível com a teoria que rege o resto.

Detecto dois malentendidos primordiais sobre a mecânica quântica:

1) Teoria da incerteza

2) Superposição quântica.

As duas falam do mesmo fenômeno: a teoria procura calcular os estados de uma partícula - posição, velocidade etc. Ocorre que não é possível mensurar dessa forma este tipo de partícula. É necessário mensurar por probabilidades. Daí se dizer que uma partícula pode estar em dois estados quânticos. Isso quer dizer que pode ser duas coisas ao mesmo tempo ou mesmo estar em dois lugares ao mesmo tempo. Mas isso também quer dizer que nós podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo ou viajar mais rápido do que a luz? Claro que não. Estamos falando de uma partícula infinitesimal e de uma abstração matemática. Para fins de cálculo de uma partícula vamos levar em conta todas as suas probabilidades. Diz-se que ela ocupa uma nuvem de probabilidade. Mas isso é uma abstração para fins de cálculo e não significa que a partícula está em todos os lugares, mas sim que ela pode estar em todos os lugares e para fins de cálculo devemos considerar que está.

A dualidade onda partícula é uma conseqüência da falha apontada anteriormente. Quando vamos calcular sua função onda imediatamente trazemos a partícula para este estado, se calculamos sua posição como partícula também será necessário que ela assuma este estado. Essa é a idéia do colapso da função de onda, ao voltar nossa atenção para ela forçamos uma decisão. Ela pode ser duas coisas mas só escolherá, naquele momento, um dos caminhos. Ela pode estar em qualquer lugar, mas ao olharmos ela se mostrará em um só. Num único momento poderemos dizer ou sua velocidade ou sua posição, mas nunca as duas coisas ao mesmo tempo. É mais ou menos assim: se eu quiser calcular a velocidade ( que também não é velocidade, é uma abstração da velocidade) de uma partícula ela será apenas velocidade e nada mais. Se não me explico bem é porque não entendo bem. Nem eu nem ninguém. Um amigo, grande físico, tentou me explicar por várias horas e depois me disse: “isso é apenas um monte de conta que dá certo, você não pode tentar visualizar. Feynman, um dos maiores físicos do séc XX costumava dizer: “Se você acha que entendeu alguma coisa sobre mecânica quântica, então é porque você não entendeu nada.” Por isso mesmo não podemos sair afirmando nada sobre ela.

Os esotéricos e pseudocientistas querem nos fazer crer que existe uma cura quântica, pois a matéria seria vulnerável ao pensamento e usam o colapso da função de onda como prova. Por mais que eu seja simpática à idéia de que podemos dominar a matéria com o nosso pensamento (seria o máximo, não seria?), eu sei que este tipo de coisa nunca foi comprovada e acho mesmo que é impossível. Na verdade acredito que isto é culpa de nossa onipotência que deseja impor ao universo a força de nossa vontade. Além do mais, vale tudo para escapar de nossa realidade tão banal. Para que o pensamento pudesse influir na matéria, ele precisaria de uma partícula e, por mais que queiramos acreditar que pensamento é energia ( e até agora só sabemos que são interações químicas) o fato é que não há nenhuma partícula associada a ele. Pensamento e matéria são de essências diferentes!

Podemos criar um mundo melhor, podemos acreditar em muitas coisas, mas não é certo que se tente embasar essas crenças com uma comprovação científica que nunca aconteceu. A ciência prossegue em seu lento e rigoroso caminho. Nada nos indica que pensamento e matéria são compatíveis, mas nada nos diz que não. Procurar embasamento científico para certas crenças é justo. Mas é necessário que isso seja feito com rigor, para não deixar dúvidas. Não podemos aceitar como certo coisas que não são comprovadas pela comunidade científica. Quem pode esquecer a beleza do dia em que a teoria da relatividade foi comprovada na prática? Foi aqui no Brasil, num eclipse. Deste dia em diante percebemos que, de fato, espaço e tempo são os tecidos do cosmo e que a gravidade era uma deformação neste tecido. A partir daí foram previstos os buracos negros e foi aberta uma nova perspectiva de visão do universo. Nenhuma teoria foi tão surpreendente quanto a da relatividade, poucas têm a sua beleza. E o que é melhor: foi comprovada.

A mecânica quântica também foi comprovada, mas até agora a única coisa que podemos dizer dela é que é uma série de contas que dão certo. O resto é pura especulação.

Oriane

Monday, March 26, 2007

Verdades sobre a escravidão: os negros não precisam de paternalismo babaca!


Todos sabem que sou contra ação afirmativa e outras babaquices. Não podemos dizer para os que estão insatisfeitos para voltarem para suas pátrias de origem. Dizer este tipo de verdade é taxado como preconceito.
Semana passada estava numa aula daquelas densas quando passou um grupo fazendo um barulhão infernal. Um aluno jovem foi pedir silêncio e o grupo riu na cara dele e continuou a baderna. Era a reunião semanal do grupo afro de ação afirmativa. Tivemos que mudar a nossa aula de dia pois não havia como pedir silêncio. Eles são arrogantes, nos olham de cima, e só fazem o que querem. Na faculdade todo mundo sabe, se tentar falar qualquer coisa acaba-se tachado de racista etc. Mas vocês acham que todos os negros são assim?
Sempre bati na tecla que a escravidão não era só culpa dos brancos. Os africanos vendiam uns aos outros numa boa. Muitas famílias africanas, negros, enriqueceram assim. São ricos até hoje. Mas ninguém fala nisso. É mais fácil para todos fingir que a culpa é só dos brancos. Se vamos falar sobre isso logo aparece algum engajado gritando. Sim, essas pessoas não argumentam, elas gritam. É fundamental para todos os afro-militantes que a culpa fique com os brancos e ponto. Nosso demagogo presidente pediu desculpas aos africanos pela escravidão no Brasil. E fez isso em nome da nação. Mas eu e muita gente esclarecida não concordamos com isso. Eu não quero pedir desculpas para ninguém. Nem eu nem meus antepassados escravizamos ninguém. Só porque somos brancos não significa que sejamos escravocratas. Tenho horror a qualquer espécie de discriminação!
A escravidão é aviltante, sem dúvida, mas a culpa é de toda uma sociedade voltada para o egoísmo e para a esperteza em detrimento do outro. E dividir a responsabilidade é fundamental. Lula é um ignorante, isso já sabemos, mas sua atitude foi ridícula e demagógica e deu ensejo a essa turma que está louca por uma vantagenzinha, um bolsa-família, bolsa-afro ou seja lá o que for. Entretanto, nem todos os negros pensam assim.
Uma amiga minha tinha duas orientandas bolsistas da Rosinha. Afro-descendentes que entraram pelo sistema de cotas e ganhavam um dindin. As duas eram péssimas, mal educadas, não iam à aula, faziam corpo mole e depois diziam: "você não pode me reprovar, sou bolsista, vou reclamar com o reitor e dizer que você é racista...". Não tinham o menor interesse no que estavam estudando, mas queriam garantir a graninha no final do mês. Mérito para receber a bolsa? Nenhum, apenas a cor da pele.
Enquanto isso, um amigo meu, que é branco e muito pobre, vive tentando uma bolsa para poder continuar os estudos. Excelente aluno, vê-se na contingência de largar o estudo para ajudar a família. Para ele não tem bolsa não, apenas esforço não recompensado. Agora, uma outra amiga, que é negra e também foi excelente aluna, vê-se assustada com o sistema de cotas, pois ela teme, com justa razão, que isso acabe acirrando o preconceito e diminuindo o mérito daqueles que, como ela, conseguiram o respeito da sociedade sem a ajuda de ninguém. Trata-se de uma das pessoas mais cultas e estudiosas que conheci. De orígem muito pobre, sempre estudou e venceu na vida. O pai era marginal, mas nunca sentiu-se tentada por este tipo de atividade. O sistema de cotas e a suposição de que pobreza leva à criminalidade são um desrespeito a pessoas como ela. Ela acha que isso tudo é preconceito disfarçado em paternalismo. Teme que os mais ingênuos tornem-se massa de manobra para políticos populistas e mal intencionados. Por que temos que continuar fingindo que a culpa da escravidão foi só dos brancos????
Vejam um trecho que extraí do Globo na quinta- feira, na coluna de Demétrio Magnoli:

O tráfico e a escravidão continuam reverberando. O escritor moçambicano Mia Couto relata uma visita aos EUA de HonóriaBailorCaulker, uma senhora africana, presidente da câmara do povoado de Shenge, na Serra Leoa. Convidada a discursar, ela subiu ao palco, cantou “Amazing Grace” e, após demorada pausa, informou à platéia que o célebre hino religioso foi composto por um filho da escravatura, descendente de uma família que deixou Shenge. A platéia explodiu em aplausos comovidos, mas Honória os interrompeu e indagou se a homenageavam como símbolo do sofrimento de milhões de escravos. Diante da resposta uníssona, atalhou: “Pois eu não sou descendente de escravos. Nem eu nem o autor do hino.

Somos, sim, descendentes de vendedores de escravos. Meus bisavós enriqueceram vendendo escravos.” Os europeus, como regra, não caçavam africanos, mas os adquiriam na segurança de suas fortalezas costeiras. A carga humana era fornecida pelos reinos negreiros, alguns muito poderosos, como o Estado ashanti, da Costa do Ouro, que cobrava aluguel dos traficantes europeus pelo uso das fortalezas e mantinha parte dos cativos como serviçais domésticos de seus chefes.

Em 1872, bem depois do encerramento do tráfico atlântico, o soberano ashanti Zey dirigiu uma carta ao rei da Inglaterra solicitando a retomada do comércio de escravos.

Yaw Bedwa, da Universidade de Gana, diagnostica uma “amnésia geral sobre a escravidão”. O interdito, vigente em diversos países africanos, não decorre apenas das conveniências de elites clânicas ligadas por escassas gerações ao negócio do tráfico.

Pois é, até quando vamos tratar com paternalismo esse assunto? Até quando vamos ter tanta gente se fazendo de vítima e explorando essa vitimização? Quantos negros não venceram por mérito próprio, enterrando de uma vez por todas a idéia de que são burros ou seja lá o que pensam os racistas. A persistir o sistema de cotas e que tais essa imagem do negro frágil e intelectualmente despreparado acaba por se perpetuar!
Só um adendo importante: eu realmente acho que os negros são, de fato, discriminados. Apenas acho que isso não pode ser combatido com mais discriminação. Precisamos sim valorizar esta rica cultura combatendo, por exemplo, a sanha de certos grupos evangélicos que tentam associar o candomblé ao demônio. A Cultura afro é, de fato, uma cultura riquíssima e deve ser preservada a todo custo. Quem tiver qualquer dúvida leia o excelente escritor angolano Kwame Appiah, que escreveu um livro sobre a África cultural. Aliás, leia qualquer escritor angolano, eles são maravilhosos. E isso naquela terra que está inteiramente dizimada! Se queremos acabar com o preconceito devemos mostrar a imensa riqueza da cultura africana, a beleza de seus rituais, culinária etc. Nunca, jamais devemos insistir em suas fraquezas. Os negros brasileiros não são negros nem africanos, são brasileiros como todos nós. Não são diferentes, mas são aqueles que guardam um cultura antiga e riquíssima! Somos todos do terceiro mundo, irmãos em riqueza e infortúnio!
Negros, vocês são fortes, uma cultura rica e antiga, não precisam de paternalismo babaca, muito menos de cotas e muito menos serem usados como massa de manobra para políticos desonestos!!!
Basta de paternalismo e hipocrisia!!!

Oriane


Saturday, March 24, 2007

Psicose coletiva...



Deu na mídia: ursos brancos, abandonados pela mãe, merecem morrer porque, se forem cuidados pelos humanos, correm o risco de perder sua essência "ursóide"! Nunca se viveu um tempo tão claramente doentio como este, "nesteplaneta", em especial, "nestepaiz". É obscena a quantidade de sandices, disparates, delírios e barbaridades outras que se vêem e ouvem por aí, sem que ninguém se rasgue de alto a baixo, abraçando o lago Titicaca!
Os jornais parecem boletins extraídos do quadro informativo de um grande hospício: Julieta, hoje, acordou com vontade de ser Romeu, a paciente do quarto 15 regou as pernas do rapaz do quarto 23 com gasolina e tacou fogo, o diretor geral transou com Napoleão à sombra de um pé de chuchu mexicano, dois internos surraram a enfermeira porque ela estava vestindo meias azuis. Parece enredo de comédia americana - lembram de Mel Brooks? - dos anos sessenta e setenta... "A demência veio a cavalo" seria um título digno para definir a atual conjuntura. Todas as referências, esteios, apoios, balizamentos e paradigmas de racionalidade escoaram pelo ralo. Ninguém diz mais coisa com coisa. A praga já se espalhou de tal modo que a profecia de Machadinho de Assis, em O Alienista, se realizou plenamente: todos os doidos estão do lado de fora. É um pesadelo real,concreto, palpável e degustável. Respira-se loucura por todos os poros. A revolução semântica - leia-se Língua de Pau - que preparou o terreno para esse estado de coisas obteve um êxito esmagador: destituídas de suas raízes originais, amputadas de seus étimos seculares, travestidas do que realmente não são, as palavras, carro-chefe da sanidade mental, saem às ruas sob o rótulo da "normalidade", cobrindo a existência verdadeira com os signos do seu avesso, do seu não-ser, da sua negação, da sua ausência absoluta. Nesse panorama lúgubre, o humor morreu porque ele é, sempre, o derradeiro baluarte da razão, a reserva de alguma consciência crítica, o oásis para onde se poderia correr num aperto psíquico mais incômodo. Com ele, foi-se o saudável riso dos inteligentes, pois só nos resta a gargalhada de hiena dos beócios, os mesmos que conduzem ao poder seus pares, seus assemelhados, suas projeções grosseiras, espelhos de ridículos narcisos.
Todos se merecem, à exceção dos ursos.
Imagem: Mel Brooks e Cia, na ótima comédia "Alta Ansiedade".

Marx, o Groucho

Wednesday, March 21, 2007

Benedita e a ditadura do mais fraco!


Está certo, todo mundo já sabia que Benedita da Silva não era exatamente um gênio. Na verdade, trata-se de mais uma daquelas figuras míticas criadas pela esquerda, aquela coisa que tanto encanta a galera do forum social: orígem humilde, afro-descendente, aquelas coisas. Mas, nós sabemos, estas características não criam necessariamente bons administradores ou cabeças boas. No caso da senhora em questão, suas passagens pela vida pública sempre foram desastrosas. Nenhuma capacidade para lidar com dinheiro, medidas demagógicas, preconceito contra quem não é pobre e favelado etc.
Agora, bolsa-crime?????
Francamente, até para a Benedita é um pouco demais. Isso não é demagogia ou falta de noção. É burrice mesmo!
Essas pessoas realmente acham que o certo é expulsar do país quem teve estudo e alguma condição para deixá-lo para aqueles que, na cabeça dela, são os que têm direito ao país: favelados, afro-descendentes e marginalizados. Na cabeça dela, os outros têm uma dívida social com essas pessoas. É uma espécie de tendência Pol Pot. Vamos mandar os intelectuais para o campo, acabar com as escolas, para quê escola? Os analfabetos tomaram o poder e agora querem destruir quem não é. E tome bolsa para marginal, direitos humanos para assassinos, taxas para sustentar favelas.
Sempre detestei essa ditadura do mais fraco.
Precisamos de ação social? Sim, é claro.
Precisamos ser discriminados por sermos brancos e cultos? Não!!!!
Trata-se, mais uma vez, da cultura da inveja e do rancor. De se transformar idiotas em governantes.
Esse país adora ser miserável. Essa gente não quer resolver o problema da miséria, quer é nivelar todo mundo por baixo...
Deprimente.

Imagem: caricatura de Pol Pot...
Oriane

Wednesday, March 14, 2007

Foro privilegiado

Estão querendo - leia-se PT e Arlindo Chinaglia - propor que o foro privilegiado seja estendido a todos aqueles que já ocuparam cargos públicas, ou seja, um bando de ladrões!
Tive uma idéia: por que não foro privilegiado para:

Favelados
Excluídos
Afro-descendentes
Sociólogos de esquerda
Gente de ONGs

Nós não vamos fazer nada?
Este país é um descalabro!!!!

Oriane

Sunday, March 11, 2007

Ícones de um tempo perdido.



Enquanto não conseguimos fugir "desteplaneta" para uma civilização galática melhor - sonho delirante de Oriane - vamos nos refugiando no discurso literário, por meio do qual compensamos nossa sede por novas plagas, culturas e pessoas.
Um aluno meu, há uns dez anos, classificou Eça de Queirós de o "segundo pior escritor que ele já tinha lido, pois o primeiro era, sem dúvida, Machado de Assis" (Atenção: o distinto tinha uns 40 anos e era filho de professora de Literatura. Freud teria se esbaldado com ele!), só porque o lusitano escrevia com "vocabulário do século XIX, sobre coisas que não interessavam a um brasileiro". Por coincidência, essa lembrança me "assaltou" - homenagem ao Rio - após a leitura do texto de Rouanet, transcrito por Reinaldo Azevedo em seu blog, em que o autor daquela Lei mambembe (Vejam como a mesma pessoa tem facetas diametralmente opostas, só para variar.) distingue dois tipos de "herança" nacional, a psicologia indígena dos Caetés e Tupinambás. Foi impossível não identificar o tal aluno, que odiava Eça e Machado, como um deslumbrante Caeté! Sua argumentação, quando o chamei para se explicar melhor, foi toda pautada por esse nacionalismo idiota, autofágico, demente mesmo, que saltou aos olhos nas manifestações de rua à visita de Bush, que, aliás, culminou em mais uma extraordinária produção pornô, expelida diretamente da cornucópia cerebral do Keiser, nossa Magda kármica, agora também Guia Sexual dos Povos Caetés.
Mas, voltando à literatura, o livro de Eça de Queirós que gerou o estapafúrdio comentário do meu aluno era A cidade a as Serras, sua derradeira obra. Com a típica intuição que ilumina os gênios, Eça conta a história de Jacinto de Thormes, descendente de miguelistas fanáticos, mas nascido em Paris. Tornado um dandy exemplar pela féerie parisiense, Jacinto, que vive numa mansão nos Campos Elísios, é obcecado por aquilo que chama de máxima civilização. Ele seria, hoje, uma espécie de "nerd", porque colecionava toda a parafernália tecnológica da época sem descuidar dos requintes mundanos que sua classe social exigia. Eça nos descreve esse cenário com tal precisão de detalhes e tamanha ironia que é impossível não viajar cinematograficamente com ele até o universo de seu personagem principal, exatamente como ocorre, não por acaso, quando se lê a obra de Proust - o Keiser diria, sem dúvida, que esses escritores atingiram o ponto G da Literatura.
Qual seria o tema de a Cidade e as Serras? Lá pelo meio da narrativa, enjoado de tanta civilização, Jacinto empalidece, murcha, perde a força. Por acaso, tem de ir a Portugal, para regularizar documentos relativos às suas propriedades rurais, as mesmas que lhe davam o sustento luxuoso a que se acostumara desde o nascimento. Em contato com as raízes serranas, Jacinto renasce psiquica e fisicamente, tomando sopas fantásticas, dormindo em colchões duros, respirando ares viçosos, extendendo a vista por paisagens exuberantes e... acordando com as galinhas! Deduz-se daí, então, que Eça era um pré-ecologista? A obra exalta a volta à natureza, ao solo pátrio, ao modus vivendi rústico, à pobreza igualitária? Será um libelo socialista - bastante provável já àquela época - contra às más condições de vida no campo português? Sim, porque Jacinto entra em contato - enquanto descobre um "outro mundo realmente possível"- com os problemas de seus empregados, gente simples e trabalhadora, mas com todos os óbvios problemas dos "sem-grana" e "sem-Estado". Será o texto um tratado de inclusão social sob a égide do combate à violência? Pouco provável: os camponese descritos por Eça são amáveis e mentalmente saudáveis. Será a antecipação da tese de Rouanet sobre a filosofia caeté? Fora essa tal de Paris, dane-se o resto da Europa! Tecnologia? Só se for a nossa! Abaixo o luxo, nós queremos é lixo, queimem a casa na rua dos Campos Elíseos!
Acertou quem percebeu que o escritor lusitano, rei da adjetivação criativa, nos propõe, como um legado final de seu engenho, a conciliação inteligente dos opostos, a seleção do que há de melhor em qualquer contexto, a LIBERDADE do "e" contra a DITADURA do "ou". Jacinto descobre o equilíbrio, a sanidade existencial, o melhor de qualquer mundo.
Nestepaiz, Eça seria devorado por Caetés petralhas. Jamais seria eleito para qualquer coisa, nem para gandula do Maracanã.

Imagens: Eça de Queirós e Machado de Assis, ícones de um tempo perdido.

Marx, o Groucho.

Friday, March 09, 2007

Vida em outros planetas e o nosso caos...



Frank Drake e a sua famosa equação que tenta calcular o número de civilizações tecnológicas na nossa galáxia com a possibilidade de estabelecerem comunicações entre si. Crédito: SETI Institute


Esta semana estava lendo o excelente livro de Stephen Hawkin – Buracos Negros e Universos Bebês - . Trata-se de um pequeno livro com várias questões pertinentes à ciência atual. Um artigo em especial me chamou a atenção: nele Hawkin fala sobre a evolução do cérebro humano. A tese ( já comprovada) é a seguinte: o cérebro humano evoluiu de acordo com as leis da natureza e de acordo com a própria capacidade do homem até o momento em que surgiu a linguagem. Deste ponto em diante o homem dá um salto não acompanhado pela natureza na estruturação do cérebro. Em outras palavras – o homem adquire uma imensa capacidade intelectual, mas permanece com o cérebro de homem das cavernas -. Importante notar que os elementos mais fundamentais para a sobrevivência do homem das cavernas eram a violência e a agressividade. Isso explica porque grande parte da nossa ciência é investida em armas e destruição. A violência é elemento fundamental em nosso cérebro e é um instinto de sobrevivência, instinto esse que se volta contra nós em face da nossa capacidade de destruição. Uma arma de fogo na mão de um homem das cavernas gera o que estamos vendo: uma sociedade no caminho da auto-destruição.
A maior parte das vezes em que se pensa sobre a paz, sobre mudar a sociedade, não levamos em conta nossa história evolutiva, mas ainda vale este tipo de reflexão.
Ainda haveria saída para nós?
Os cientistas andam se impacientando com o fato de não termos ainda ouvido outra civilização. Isso poderia significar que não há nenhuma por perto ou que toda civilização que atinge um certo grau de evolução tecnológica ( o que nos permitiria ouvir seus sinais de rádio ) acaba por se auto destruir. A hipótese que seria provável é que as civilizações se destroem ao atingir certo grau de tecnologia. Esta hipótese já é proposta na equação de Drake, a mais importante equação do estudo sério de hipótese de vida em outros planetas.

A Equação de Drake é formulada como segue:
N = R* X fp X ne X fl X fi X fc X L
Onde:
N é o número de civilizações extraterrestres em nossa galáxia com as quais poderíamos ter chances de estabelecer comunicação.
R* é a taxa de formação de estrelas em nossa galáxia
fp é a fração de tais estrelas que possuem planetas em órbita
ne é o número médio de planetas que potencialmente permitem o desenvolvimento de vida por estrela que tem planetas
fl é a fração dos planetas com potencial para vida que realmente desenvolvem vida
fi é a fração dos planetas que desenvolvem vida que desenvolvem vida inteligente
fc é a fração dos planetas que desenvolvem vida inteligente, que têm o desejo e os meios necessários para estabelecer comunicação
L é o tempo esperado de vida de tal civilização sem que se auto-destrua

Detalhe importante: o resultado desta equação é que deveria haver em torno de um milhão de civilizações em nossa galáxia. Pelas minhas contas a mais próxima deveria estar a uns 300 anos luz. Mas isso ainda nos deixa a questão: se é assim algum sinal dessa civilização já deveria ter sido ouvido. Qual o problema? Seremos os primeiros ou elas se destruíram? Pelo nosso próprio exemplo me parece que a segunda hipótese é a mais provável...

Pois é, por isso acabo sendo tão pessimista.

Oriane

Saturday, March 03, 2007

Um hospício chamado Banânia!


A propósito de uma questão assustadora: além de estar ficando impossível conversarmos com a maioria das pessoas em Banânia, apresenta-se agora, sorrateiramente, à nossa perplexidade, uma espécie de fenômeno agregado ao panorama supradito, por si só já tão apavorante. Trata-se do questionamento, sedento por respostas lógicas, feito por intermédio de discursos ininteligíveis. O efeito é devastador. Diante de um monte de perguntas desconexas, surge a atordoante impressão de que nós é que estamos emburrecendo além da conta - isso contamina arrasadoramente!
Um fato recente, acontecido conosco, ilustra o problema que nos envenena a sanidade mental. Em uma festa de confraternização nostálgica, encontramos velhos amigos, acompanhados de seus rebentos (ou arrebentados?, perguntaria Lacan.), bem crescidinhos e já claramente acadêmicos, loucos para bater um suculento papo com os mais velhos, aqueles que parecem "saber das coisas".
Pois bem, uma das simpáticas criaturas nos atropelou, numa ansiedade própria de juventude deslumbrada, fazendo uma espécie de entrevista-relâmpago, repleta de perguntas saltitantes, em que predominavam assuntos filosóficos e sócio-políticos, regados com o previsível e velhaco ranço da narrativa histórica de cunho esquerdóide, naturalmente patrocinada pela típica retaguarda escolar que se caracteriza por um monte de clichês que doutrinam sem educar e confundem para dividir.
O pivô da conversa, só para "não variar", era a violência de plantão, espécie de entidade difusa que ocupa mentes e corações destepaíz sem que se vá à parte alguma em termos de uma conclusão lógica sobre o que se pode fazer para reduzi-la.
O discurso que nos crivava de perguntas, ávido por soluções definitivas e explicações convincentes, vinha tão sem pé nem cabeça, graças à sua constituição de colcha de retalhos sem costura racional aparente, que nos deu vontade de mandar a interlocutora para um Jardim de Infância tradicional(???), onde talvez possa reaprender os primeiros passos da língua que hoje pensa falar: Apaga tudo! Zera o taxímetro! Você não está dizendo coisa com coisa...
Notem bem, é papo de gente cursando pós-graduação...
Em consideração ao clima de confraternização, reprimimos o impulso sanitário e lá restamos sob uma saraivada de "a classe média é culpada desde o golpe de 64, em que havia duas posições a tomar (!!!) porque hoje a mídia aumenta tudo e afinal as pessoas são exatamente o quê?, no meio social que as oprime, porque a compreensão disso tudo, tirando da questão qualquer análise via metafísica, é o que resta, sem relativismos também, já que Aristóteles disse que somos racionais, sobretudo porque um copo pode ser uma outra coisa que não o próprio copo, isso é fato!"
Entre uma saraivada e outra, ponderamos que tudo, afinal, sempre pode ser UMA OUTRA COISA! Uff! Nem um mestre zen, daqueles supimpas, criaria um koan tão eficiente. Jogamos a toalha, mas não chegamos à iluminação, infelizmente...
O pior dessa experiência foi a estranha sensação de que, no fundo, poderíamos NÃO ESTAR ENTENDENDO ALGO de muito importante e inteligente e produtivo por deficiência nossa: Alzheimer? Pane mental por fungo nos neurônios? A abdução finalmente nos pegou de jeito?
Não dá mais. Estamos vivendo num hospício. Dose tripla de bollystolly, sweety!

Imagem: Bubble, a piradíssima secretária de Edina Monsoon, em AbFab.

Marx, o Groucho

Gêmeas

Thursday, March 01, 2007

Povo merece sua molusca excelência...


O imperador de Banânia, o molusco lesado, colocou a culpa da violência nas políticas econômicas do passado e disse que a violência é, muitas vezes, questão de sobrevivência. Ele é tão abilolado que pasmem, estava falando do crime dos franceses! O cara não tem a menor idéia do que está falando.
Acorda, molusco burro! O cara que matou os franceses não passava privação, era educado, eles pagaram faculdade para ele. Ele assassinou brutalmente seus benfeitores. Não tem nada a ver com exclusão, necessidade, pobreza. Tem a ver com caráter, tem a ver, senhor molusco, com comportamentos como o seu, pessoas que querem ganhar sem trabalhar, que querem se dar bem em cima dos outros. Na falta de bolsa-ditadura, ele roubava os amigos. Assim como vossa molusca excelência faz: rouba-nos com a bolsa ditadura, a bolsa-reeleição e a graninha do seu filho obeso. Sua excelência é o que de mais podre já houve no Brasil. Explora nossos bons sentimentos em seu favor.
Sabe como é a mentalidade do assassino? Largou a faculdade porque não queria estudar, assim como o senhor molusco não quis. Dá muito trabalho, não é mesmo? Trabalho é chato, mas como fazer para comprar o tênis da moda? Ou a camisa oficial da seleção? Ou consumir tudo o que se quer? O cara deu um desfalque de 80.000 reais. Necessidade? Isso é um dinheirão! Para quê? Provavelmente para comprar a chuteira do Ronaldinho ou um loira cachorra qualquer.
Essa é a mentalidade do nosso povo, que merece o presidente que tem...

Oriane

Wednesday, February 28, 2007

Taí o "bom selvagem" do Rousseau...

O assassinato dos franceses por um ex-menino de rua foi trágico. Estou tentando controlar o meu instinto que quer gritar coisas como: estão vendo como essa gente de ONGS de direitos humanos vive no mundo da carochinha? Esse ex-menino de rua que eles acolheram não era mais um excluído. Foi-lhe dada oportunidade, foi ajudado, acarinhado, cuidado, e o que ele deu em troca? Um crime brutal, matou brutalmente aqueles que o ajudaram. Por quê? Será que ele passou este tempo todo odiando-os? Invejando-os? O que se passou na cabeça dele? Algo como: estes estrangeiros otários vão se ver comigo...

Aliás, o que leva pessoas de um país como a França a criarem uma criança numa pocilga como Banânia? Isso é uma irresponsabilidade. Sempre digo para a minha amiga que cria suas filhas em Haia para que jamais as traga para cá. Isso aqui é terra-de- ninguém. Esses iludidos de ONGS de direitos humanos continuam achando que podem resolver o problema com amor, abraço à lagoa etc. Este é o resultado. Estamos num mundo sem esperança.

Isso me lembra a história de um guru que tomou uma porrada de um cara e perguntou: qual foi o bem que eu te fiz? (Ah, lembrei: na verdade o guru foi Confúcio, ao levar uma cusparada de uma pessoa quando passava, totalmente distraído, sob sua janela.)

Para esses, idealistas um aviso: quando subimos a favela e ajudamos os moradores, muitos podem até estar verdadeiramente agradecidos, mas a verdade nua e crua é hobbesiana: o homem é o lobo do homem. A maioria não vai agradecer, mas odiar e invejar aqueles que ajudam. Essa é a realidade da humanidade, mas principalmente é a realidade do Brasil. Nosso povo é preguiçoso e tem uma nojenta cultura de levar vantagem em tudo. Todo mundo quer ser esperto, lograr êxito sem trabalhar. Aí você vai ajudar uma dessas pessoas cheias de ressentimento e elas sorriem para você, esperando ansiosamente o momento em que vão te roubar ou matar.

A cultura da inveja chegou a um tal ponto que o pouco que temos já é motivo de ódio. Os ladrões não querem mais apenas roubar: querem vingança pela pouca sorte que lhes coube. É patológico.

Não sou contra ajudar a quem precisa, muito pelo contrário. Sou contra o paternalismo babaca, pieguices galopantes e a ilusão ridícula do bom selvagem.

Detalhe: os franceses adotaram o seu algoz quando ele tinha quinze anos. Acho que eles não estudaram psicologia: se uma criança não recebe amor até os quinze, torna-se incapaz de senti-lo. Esse rapaz provavelmente já estava imune ao amor quando o conheceu. Isso eu aprendi há vinte anos quando trabalhei com meninos de rua. Era uma aviso que o pessoal do lugar sempre dava: concentrar-se nos meninos de menos de 12 anos e nunca, jamais abrir a guarda. O trabalho era sério, e o principal: não tinhamos ilusões quanto aos resultados. Não ver essa realidade é uma auto-ilusão cujo preço pode ser caro demais.

Sou uma desiludida, vivo deprimida, mas ainda estou viva.

Gauleses, taí o bom selvagem de vocês!

Imagem: J.J. Rousseau, o pai intelectual da grande ilusão.

Oriane

Monday, February 26, 2007

A polícia de Banânia...


Dia de feriado, pedi uma carona para Itaipava. Como o carro vinha de Niterói, marcamos na Rodoviária. Fomos eu, com um grave problema de coluna, e uma amiga, já quase idosa. Chegando lá, deveríamos ter esperado na pista do meio, para que o carro pudesse nos ver. Impossível, havia uma multidão de flanelinhas ou topiqueiros aos berros, ocupando inteiramente o vão. Começou uma briga feia, e eu e minha amiga nos assustamos e recuamos. Ficamos impressionadas, nenhum policial apareceu. Situação tensa, briga, parecia que ia sair tiro, e a carona chegou. Cheia de dor, tive que correr atrás do carro e larguei a mala com a amiga. O carro parou, e vinha uma van atrás que imediatamente meteu a mão na buzina e começou a xingar. O carro só parou para a gente subir, e nós só demoramos porque não podíamos ficar no vão, não havia quem nos defendesse. Mas eis que, com a buzina da van, aparece um policial. Sabe para quêe? Para ser muuuiiito estúpido conosco e nos multar. Agora, vem cá: nós só precisamos fazer isso porque ele não estava lá para garantir a nossa segurança. Contudo, mexeu com a van ele aparece logo. O que seria isso? Indústria das multas ou participação no negócio das vans? A polícia não só não nos protege como nos humilha e achaca. Quem confia numa policia assim? Quem pode viver num lugar assim?
A rodoviária de São Paulo é infinitamente mais civilizada...

Oriane

Saturday, February 24, 2007

Chamem Calamity Jane !!!


Entrando na Faixa de Gaza de Oriane, lá vão nossos palpites sobre como lidar com a atmosfera de criminalidade desenfreada - sempre lembrando que a palavra "violência" não é o nome adequado do boi, como já explicamos num post recente - em que estamos todos envolvidos até o pescoço.
Tirante todas as considerações feitas neste blog, até hoje, analisando os fundamentos sinistramente ideológicos do que vem acontecendo em Banânia, sugerimos algumas providências práticas e brejeiras, embora de difícil concretização, por motivos óbvios:

1 - Armar a população, como se faz na Suiça - lá não existe exército, as pessoas recebem instrução bélica para exercer o controle de situações críticas, em caso de agressão, venha de onde vier, sem frescura -, com cursos de tiro-ao-alvo-ao-marginal sem limite de idade, inteira e mui justamente bancados pelos nosso impostos, já que, pelo visto, a outra maneira, via administração estatal, está falida há muito tempo.

2 - Ter em mente, com absoluta clareza, que a morte é inevitável e que, portanto, se alguém, no pleno exercício de sua legítima defesa, abotoar o paletó numa troca de tiros com os apadrinhados dos Direitos Desumanos, levando, pelo menos, um deles de carona, sua morte terá valido a pena, exatamente como numa guerra santa. Será menos um a estuprar, a matar, a queimar.

3 - Ter a coragem de encarar a bárbarie que nos cerca, lembrando, sempre, que pedidos de PAZ e abraços à Lagoa são uma piada ridícula. Só se pode experimentar a paz depois de muita mão-de-obra, assim mesmo, bem esporadicamente - basta dar uma olhada honesta na História. Como dizia um general romano, Si vis pacem para bellum: se desejas a paz, prepara-te para a guerra - essa frase deu origem ao nome de pistolas "Parabellum"...

4- Por último, saber, sem titubeios e pruridos sentimentalóides, que o MAL existe e não tem preferência por classe social. Esse é um imperativo categórico dos bons! Ah, detalhe importante: não se dialoga com o dito cujo, só nos cabe combatê-lo.

PS: Se sobrar munição, escolham metaforicamente algumas ONGs para gastá-la. Caso elas já estejam falidas por causa da baixa do dólar, lembrem-se de que há um farto leque de opções para o bom uso das balinhas!

Imagem: a musa do bang-bang americano (que deveria inspirar os cidadãos de Banânia...), chiquerésima e imponente, segurando o seu indefectível pau-de-fogo! Para os interessados em sua história, visitem aqui.

Marx, o Groucho

Friday, February 16, 2007

Perdida na guerra, o que pensar?


Menino dormindo na rua: claro que ele também é vítima, não pediu para nascer. Deve ter uns dez irmãos, vítimas como ele. Mas nem todos viram monstros. O fato de ser uma vítima da sociedade exime a culpa de alguém? E se esse alguém for muito cruel como o tal Champinha, fazer o quê? Passar a mão na cabeça? E nós, que lutamos e pagamos impostos, fazemos o quê? Somos nós os culpados? Se vocês querem saber mais sobre o Champinha, leiam esta notícia.

Apesar de anarquista, sou católica convicta, daquelas que pedem a volta da Missa Tridentina. Sabe como é: padre falando em Latim e de costas...
Começo dizendo isso porque preciso discordar da minha Igreja. Sei que a Igreja não concorda com o controle da natalidade, pois seria uma forma de avalizar a sacanagem geral. Mas creio que agora, como se diz, "Inês é morta". Se algo não for feito em termos de conter a explosão populacional das classes pobres não haverá como viver em cidades como o Rio. São legiões de crianças que foram criadas sem pai nem mãe, perambulando nas ruas, nascidas de pais que não tinham condições financeiras e psicológicas de criá-los. Pessoas que têm filhos até com doze anos, que aos vinte já têm uns três ou quatro filhos e, ao final, não sabem dizer quantos são. É só assistir ao documentário "Notícias de uma guerra particular" do João Moreira Salles. Lá um menino internado nesses centros de infratores fala da mãe: "ela teve lá os filhos dela, uns sete ou oito, vendeu alguns e batia nos outros. Eu fugi porque não aguentava mais apanhar. Estou na rua desde os cinco...".
Chocante não? Eu sinto compaixão, mas também sinto pena de gente como nós, classe média que não pode ter carro blindado, que anda de ônibus, que cruza na rua com os Champinha da vida...
Entretanto, por mais raiva que sinta, não deixo de sentir compaixão e mesmo ter uma certa compreensão: como adolescentes que foram abandonados por família e Estado vão aprender a respeitar a vida do outro? Suas próprias vidas não foram respeitadas. Eles são ninguém e é muito duro não ser ninguém. Ninguém que os ame, nenhum direito, uma vida sem nenhuma perspectiva. O que se pode esperar de alguém assim? Eu entendo a armadilha contida nessa situação: é difícil punir alguém que sempre foi uma vítima. Mas, por outro lado, há uma sociedade a ser protegida, mesmo com sua parcela de culpa, pois caso contrário acabaria fadada ao extermínio. Se já chegamos ao ponto de nos matarmos uns aos outros sem nenhuma pena, já chegamos à barbárie. Eu sei, pois quantas vezes não vejo esses adolescentes pardos, pobres e sinto ódio. Ódio pela forma como falam, errada, mole, raiva da cara deles, aquela cara de pobre. E por quê? Por que mancham minha cidade? Por que são brasileiros como eu? Por que me vejo neles? Por que sinto esse ódio afinal? Seriam eles fruto de algum descaso meu? No fim de tudo eu sei que acabei nascendo no lado que teve sorte. Tenho raiva porque "essa gente"( é como eu falo, tipo Odete Roitman) fala alto, mas eles falam alto porque ninguém os ouve. Eles não têm voz. Dever ser muito triste e difícil viver assim.
Sempre me senti mais identificada com a direita, com os nobres, mas tenho sentido um certo desconforto por isso. Uma vaga sensação de que, além de minoria, eu estou sendo egoísta. Não tenho direito de sentir tanto ódio. Não uma vez tendo tido tanta sorte na vida. Mas por outro lado tenho horror àqueles moderninhos que vão para o Forum Social Mundial, acho todos uns idiotas. Também não saio feito uma retardada pedindo paz depois de um crime horrível. Sei muito bem que os bandidos vão rir de mim. Votei pela manutenção hipotética (graças ao estatuto do desarmamento) do direito de ter armas. Não vou sair por aí pedindo paz, nem pagando o mico de abraçar a Lagoa, ou algo assim. Ainda estamos em guerra, nosso lado contra o deles, não é assim que eu quero morrer. Não vou virar uma militante do PSTU nem vou entrar para uma ONG. Prometo não me tornar uma chata.
Mas tenho sentido esta compaixão. Compaixão misturada com ódio. Mais dez anos de análise por causa da violência do Rio.
Mas sim: ainda sou a favor da redução da maioridade penal, prisão perpétua tanto para a Richthofen quanto para o Champinha, remoção ou contenção das favelas, e de educação e planejamento familiar como soluções.
Mas agora, neste exato momento, o que é o certo afinal? Prender? Executar? Esses dias me imaginei linchando esses caras? Alguém concebe horror maior?
Vocês sabem o quanto sou impiedosa, os que lêem este blog sabe que não faço concessões ao pensamento dominante, aquele misto de esquerdismo de butique com utopia de botequim. E não acho que o Emir sader seja uma criação da direita para que todos pensem que a esquerda é retardada. Eu acredito que ele existe e que acredita no que fala. Sinto bem mais raiva de gente como ele, o imperador dos esquerdistas de butique, que usa a miséria como forma de aparecer, como forma de "jogar para a galera" do que daqueles que ele diz defender. Pessoas como ele e o Lula são duplamente odiáveis por manipularem sentimentos que até seriam louváveis se não tivessem virado uma pálida imitação de solidariedade. Uma forma de ganhar à custa da miséria. Quanto aos moderninhos do Forum Social, na verdade essas pessoas gostam de festas de esquerda ( as do PT eram famosas nos anos 80), ir ao Forum Social para encontrar os amigos moderninhos, acampar e cantar "Travessia", pintar a cara e sair no Globo, ou quem sabe virar celebridade e adotar um africano. Não deixariam de comprar um jogo de computador para dar dinheiro ao orfanato. Assim como o "fenômeno OVNI" foi uma grande desserviço para a ciência séria que busca vida extraterrestre, também essas pessoas são um desastre para quem tem preocupações sociais verdadeiras, que extrapolam a idéia de que a culpa é da Zelite, para saber que a culpa é de todos.
O problema não é nem nunca foi político. É espiritual! Como ter um bilhão e dormir em paz sem dividir nada? Como ainda existem fazendas que usam trabalho escravo? Como ainda existem patrões que pagam uma miséria? Pagar pouco para a faxineira é ou não é explorar a miséria?
Como dormir sabendo que sinto ódio do Champinha? Como dormir sabendo que sinto ódio?
Vivo numa sociedade doente e estou doente.
Tenho pena do Champinha, tenho pena de nós, tenho pena do João Hélio, tenho pena daqueles que o mataram.
Estou perdida nessa guerra.

Oriane

Thursday, February 15, 2007

De volta à semântica: cadê os bois?



Gostamos de falar sobre isto, os bois, os nomes e suas complexas relações.
Já escrevemos recentemente sobre o assunto, do ponto de vista da "opacidade", uma das características do processo de se nomear o "vácuo", ou seja, eliminando-se os bois, sem os quais é inviável haver lucidez onde vigora, a torto e a direito, a imprecisão do antidiscurso, também conhecido, desde os gregos, como texto diabólico.
Pois bem, voltamos ao assunto, mas sob outra perspectiva, sempre na esperança de ampliar a visão do que há de mais importante na produção do caos atual: a ignorância produzida - deliberadamente ou não - pelo assassinato do sentido real das palavras.
Eis uma listinha aleatória do que se produz atualmente em Banânia, como fruto dessa gigantesca falácia que contaminou, sem redenção à vista, a tal fala "coletiva", sob a égide da imprecisão verbal, cujo lema óbvio é quanto mais genérico, melhor:

1 Fala-se em violência. Não se fala em crime! Ok, a generalização oculta os limites de significado entre esses termos, o que é muitíssimo conveniente à manipulação do populacho. É simples: todo crime é um tipo de violência, mas nem toda violência é crime. Usem o raciocínio e perceberão rapidamente as funestas conseqüências dessa armadilha lingüística. No popular, é pôr no mesmo saco, sob o mesmo rótulo, coisas diferentes. Percebam o seguinte: quanto maior a imprecisão semântica - típica das generalizações forçadas - maior o espaço para sofismas e diversionismos - sopa no mel dos clichês.
A outra variante de crime é erro - mas essa é uma invenção petralha...

2 Fala-se em modernidade. O que é isso? Eis aí um conceito realmente impregnado de relativismo em sua estrutura semântica: moderno em relação a quê? Olhem só que interessante: quando surge uma palavra cujo uso implica obrigatoriamente a noção de relativismo, os senhores da pseudo-razão a empregam como valor absoluto! Assim, tudo o que é moderno é automaticamente bom, muitíssimo melhor do que todas as coisas que vieram antes. Isso cria uma situação tipicamente maniqueísta: o moderno é bom, o antigo é ruim. Na base, o mecanismo de sempre: imprecisão dos termos, generalização, reducão drástica do campo das significações. O resultado é a promoção fulminante de uma conveniente pobreza verbal. Obviamente, a percepção da realidade é estrangulada sob a pressão dessa camisa-de-força, mãe perversa do famoso... escotoma!, lembram dele? Quanto mais impreciso o discurso mais cegas são as pessoas que o proferem.

3 Fala-se em igualdade. Mais um conceito tomado como absoluto, no contrapé do seu sentido original: igualdade em que contexto? Pegando carona em Aristóteles, lembramos que, em essência, somos todos realmente iguais. Contudo, o que nos diferencia - os acidentes aristotélicos - nos individualiza, nos dá uma identidade particularíssima de onde saem as respostas à nossa interação existencial. É só olhar em volta e perceber o quanto as pessoas são diferentes, ainda que nascidas, por exemplo, em uma mesma família e expostas a condições de vida semelhantes. A igualdade essencial - somos todos seres humanos - propicia a igualdade perante o estatuto da Lei. Fora desse âmbito, salve-se quem puder, porque cada um responde por si, sob a batuta de sua consciência.

4 Fala-se em educação. Qual delas? A palavra salta na boca dos autômatos como a panacéia de todos os males. Eis aí, mais uma vez, um uso vocabular semanticamente inadequado, pois educação, como mandaria o figurino dos apressados, não resolve nada se não tiver havido, em princípio, a escolha do modelito educacional básico a ser implementado: comunista, nazista, liberal, espartana, maoísta, "tipo assim" Summerhill - hit pedagógico dos anos 60 -, mafiosa, mil frutas, gay, que raios de educação seria? Se for mais, ainda, daquela que anda nos assombrando por aí, recordista de resultados negativos no que se refere a testes de conteúdo objetivo, é melhor fechar todas as escolas.
Na verdade, quando as pessoas clamam por educação para resolver as agruras sociais, elas estão pedindo, inconscientemente, o ensino das normas de conduta moral. Afinal, saber bem matemática e geometria não garante uma baixa criminalidade, certo? Como há uma terrível lavagem cerebral, há décadas, solapando tudo o que se refere a freios comportamentais, incluindo-se aí a eliminação sumária da noção de "culpa" (que horror, que coisa antiga!) via leitura psicanalítica vagabunda, a única saída é a adoção de um simulacro pré-fabricado - forjado ao sabor ideológico dos ocultíssimos podres poderes - , conhecido como a ética fajuta do politicamente correto. Portanto, onde se instalam - e viva o Mec! - "propostas educacionais" tupinicóides, só existe um megaprojeto de lavagem cerebral.
Alguém duvida, a partir dessa análise, que tudo o que está correndo com a conivência das "otoridades" não passa de um plano para forçar o povão a clamar, de joelhos, por uma ditadura??? Afinal, se somos culpados, "enquanto sociedade genérica", por tudo isto que está aí, a saída à vista é tolher a liberdade de todos, não é mesmo? Vale a pena o sacrifício...
As condições já foram criadas. Falta o grand finale.

Uma boa vacina para tudo isso? Uma ótima maneira de identificar esses invasores de mentes, cupins da verdadeira racionalidade? Que tal um cuidadoso estudo da língua, via Filosofia? Todos os mecanismos de defesa estão lá. É só querer ver...

Há mais, muito mais, para relatar aqui, sobre esses convenientes "apagões verbais", fruto de uma deliberada imprecisão semântica que não passa de mais uma tática ultrabatida na esfera da Língua de Pau. Voltaremos ao assunto, em breve.

Marx, o Groucho

Tuesday, February 13, 2007

Monstros: os pais são evangélicos...

Os pais de dois dos acusados do crime que abalou o país dizem que não entendem como os filhos fizeram isso, pois foram criados num lar evangélico. Não quero parecer preconceituosa, mas o fato de serem criados num lar evangélico não torna tudo pior? Já vi muito mau caráter mentir e dizer que jamais faria o que fez, pois é evangélico. Em Petrópolis há uma verdadeira máfia de empregados evangélicos: começam a trabalhar cheios de moral, não querem ter a carteira assinada, fazem coisas absurdas, tratam pessoas mal e depois processam, sempre com a ajuda de um advogado da igreja. Várias pessoas vêm evitando contratar evangélicos por causa disso: estão cansados de falsa moral e de pseudo-evangélicos lhes passando a perna.
Não é surpresa para ninguém, este blog detesta pentecostais e neopentecostais. Sim, nem todos os evangélicos são iguais, uns são menos piores que outros. Mas quase todos tem uma característica: são intolerantes. Então a gente fica pensando, será que esses meninos tinham realmente algum diálogo em casa? Ou era apenas repressão e a sensação de que havia um imenso hiato entre pais e filhos? Como será ser criado neste ambiente de falsa moral, repressão, e intolerância? Não seria esse um dado a mais para explicar tamanha brutalidade? E tem mais, os pais dos acusados têm ambos 34 anos. Isso significa que tiveram o filho mais velho aos onze? Seria isso possível? Se for é mais uma prova de que o planejamento familiar é urgente. Essas pessoas têm cinco filhos e dois são verdadeiros monstros. Seria por causa do ambiente repressor ou porque foram cinco criados num ambiente sórdido, ou mesmo porque ninguém deveria ter filhos antes dos dezoito anos?

Claro que só estes fatores não justificam os monstros. Há algo errado com eles, mas o fato de haverem dois com estas características numa mesma família dá o que pensar.

E esta justificativa de ser evangélico, francamente, não justifica nada, só nos aborrece e deixa na dúvida.

O falso moralismo de evangélicos de araque precisa ser combatido urgentemente, sob o risco de virar um câncer social do qual não poderemos jamais nos livrar.

Se vocês conhecerem uma dessas pessoas mal vestidas, olhar para baixo, que te garantem ser as mais honestas do mundo porque são evangélicas desconfiem: podem ser ressentidos invejosos loucos para te passarem a perna.

Acreditem, já aconteceu comigo e posso dizer sem peso na consciência: eu detesto e desconfio de evangélicos.

Oriane

Saturday, February 10, 2007

Sabadão na praia

Hoje um amigo me escreveu da França, agradecendo uma tarde na praia. Um talvez raro momento de paz. Sábado tentei ir à praia. Na chegada, um grande susto. Próximo ao hotel Cesar Park, havia flanelinhas de areia. Isso mesmo, vocês não estão lendo mal, flanelinhas de areia mesmo. Os caras ficavam ali no calçadão gritando: "aqui, aqui, cadeira, e algumas palavras numa tosca tentativa de inglês que não pude identificar.
A praia era uma baderna loteada entre flanelinhas e que tais. Depois de finalmente nos isntalarmos, comecei a ler o jornal. Do nosso lado um grupo de rapazes veio se acomodar. Aparência de morro, cultura de morro, impossível não ouvir a conversa: falavam aos berros, para a gente ouvir mesmo. Papo de traficante, os caras não eram só assustadores, pareciam perigosos. Ali, do meu lado, falando alto a ponto de eu não conseguir ler.
Falei para minha amiga: "vamos para mais perto da água"
Minha amiga: "não, é melhor ir embora, e se eles se ofendem e se vingam na gente?
Eu: "mas que absurdo, eles estão nos expulsando???"
Paguei a barraca e as cadeiras, que usei por dez minutos, e fui embora para outro canto. Finalmente instalada, recomeço a ler. Mas não dura muito tempo: dois barrigudos de cerveja na mão falam aos gritos sobre o síndico gay do prédio deles. Soube tudo sobre a briga no prédio e a mentalidade tacanha daquelas pessoas. Não havia como não ouvir a conversa, mais uma vez, pobres ou ricos, todos no Rio falam aos berros.
Moral da estória: se vocês resolverem ir à praia no Rio tentem o final de tarde quando essa gente horrorosa já encheu a cara e foi dormir.
Conselho de amiga...

Oriane